A mulher de 30 anos não era nascida no 25 de Abril de 74; não ouviu radionovelas e não vibrou com o Festival da Canção. A mulher de 30 anos tropeçou em dois séculos e está aqui! Também opina, ainda não é anciã e agora é mãe

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Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Etnografias I

Quando o sol desponta nesta cidade e arredores é certo e sabido para onde se deslocam, peregrinando, várias centenas de populares e suas famílias. Entre praias, munidos com corta-ventos da sport zone e chapéus de sol da Delta, ao périplo das barracas da Feira do Livro ou de artesanato ou de gastronomia ou de... e à prática do ciclismo informal entre parques das nações maiores ou mais pequenos, os portugueses da capital e arredores saem das suas toquinhas e, já não indo para a porta de casa assar sardinhas ou confeccionar croché com as vizinhas, vão “praticar” coisas saudáveis e culturais. Isso e ir às compras para o Lidl ao domingo, mas esses são os mesmo deprimidos. À excepção da minha vizinha, essa é muito deprimida e fica em casa a estender roupa.

 
Enquanto metade da população da grande Lisboa, deslumbrada pelo calor e pelo sol, rumou no domingo passado para esses destinos bem previsíveis, outros haviam que, literalmente, não se dedicando à pesca, dedicaram-se a uma espécie de auto- SPA, gratuito e de efeito podológico muito esfoliante.
 
Estivesse eu agora na faculdade e tinha encontrado um oásis de exótico ali, bem no meio do rio Tejo, sem precisar de auto-financiar deslocações mais distantes. Qual procissão qual quê?! Qual festa dos rapazes, qual romaria de santa Engrácia, qual forno comunal?!
 
A bem dizer, se eu ainda fosse estudante, tinha encontrado “o” oásis do trabalho de campo.
 
Enquanto todo o jovem estudante de Antropologia anda hoje em dia numa azáfama ansiosa para encontrar “terrenos”, para no fim, e sem muito pensar, acabarem por cair na falácia das problemáticas pós-modernas com abordagens moribundas (desde o desaparecimento da agricultura o paradigma voltou-se para as cidades, ou melhor, para os bairros das cidades; quão mais pobre seja o bairro melhor “terreno” significa). Ora isto é parvo e cansa. Eu calmamente dedicaria o meu tema à “Apanha do ganso”. Sim, se a Sally Cole dedicou o dela à apanha da alga, eu também poderia.
 
Ah?! Perguntam vocês. Apanhar o quê? Soltam um ganso no rio? Sacrificam o pobre animal? (pois, Antropologia e sacrifício parecem andar de mãos dadas, mas é mentira). A populaça vai toda atrás do bicho? É uma ode ao Nils Holgresson?
 
Não!
 
A “Apanha do ganso” é o novo fim-de-semana da antiga classe média!
 
O “ganso” não sendo um animal da família dos galináceos é uma espécie de crustáceo, mas sem casca (eu sei que a explicação não é muito científica, mas não tenho tempo para mais); uma lesma do mar, pronto. Serve para isco de pesca, a pobrezinha…
Eu tentei fotografar um, mas não achei…
 
Entre apanhar “gansos”, os “pescadores” mais ágeis, sortudos ou patudos, sim que a quantidade não depende só da perícia, o tamanho do pé aqui pode mesmo significar a diferença entre um saco cheio ou apenas meio saco, vão apanhando amêijoas… à mão… com a ajuda do pé.
Isto é uma actividade familiar. Não se pense a divisão do género como elemento de análise. Levam-se as crianças munidas de fato de banho, um bocado ao engano, diga-se, mas depois não as deixam entrar na água. A tabuleta de aviso “Proibido tomar banho. Água imprópria” é cumprida. Depois, digam lá que os portugueses não são cumpridores! Assim, enquanto as criacinhas se entretêm a chapinhar só os pés, o pai e a mãe, de cócoras, panamá em riste, enterram os presutinhos e toca a apanhar “ganso” de cu empinado.
É uma boa actividade para casais desavindos: dá para pensar porque é um trabalho moroso; enquanto estão de cabeça para baixo refrescam as ideias e, no fim, podem sempre contabilizar o resultado comum do amuo num grande balde de “ganso”.
 
Aparentemente o “ganso” é vendido. As amêijoas são para comer. Não se gasta dinheiro e ainda se rentabiliza com um petisco para o fim do dia, esse ritual estival tão português que tem o caracol e os crustáceos como eleição.
 
Não são muitas as famílias “ganseiras”, mas creio ser uma prática em vias de se tornar o novo mainstream. Também não deve ser proibida, pelo menos por agora a UE não parece saber ou importar-se com a reprodução ou extinção da lesma do mar, mas nunca se sabe até quando.
 
Eu contei 17 adultos de cócoras a laborar e uma data de crianças pululantes em redor. Depois andava eu e um senhor a fotografar, o homem de trinta anos a apanhar búzios, a minha mãe a apanhar sol, uns rapazes a jogar à bola, uma senhora a ler e outra a passear um cão.
 
Lá muito ao largo, na ponta da ilha de areia estava uma festa brasileira. Perto das antigas salinas, uma mão cheia de piqueniques e ao fundo estava Lisboa. Às vezes parece-me muito distante do sítio onde moro, ontem nunca me pareceu tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe.
publicado por amulherdetrintaanos às 23:33
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