A mulher de 30 anos não era nascida no 25 de Abril de 74; não ouviu radionovelas e não vibrou com o Festival da Canção. A mulher de 30 anos tropeçou em dois séculos e está aqui! Também opina, ainda não é anciã e agora é mãe

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Sexta-feira, 9 de Maio de 2014

o meu 25 de abril também seria comemorado este sábado

E o que é que se faz quando nâo se tem nada para fazer? Ter, ter, até teria, mas a prescrição médica de não apanhar correntes de ar e descansar mesmo muito não deixa motivação para grandes planos. Estar em casa a aboborar não é, de todo, a coisa mais feliz do mundo. Assim enquanto espero resultado do último exame que me há-de dar libertação caseira tenho dormido em quantidades generosas como não o fazia há mais de dois anos. Mamãe e homem de trinta anos são chefs gourmets. Filhinha dita não vai à rua, mamã doente. 

 Assim, oscilo entre tentativas de leitura

 

Folhear de revistas coloridas

 

 

Planos de bricolage desmotivadores

 

Pentear cabelos com o meu alisador pouco utilizado

 

Comer

 

Comer

 

Nos intervalos, comer

 

Pouca tv

 

Muita net

 

Arrumações pequenas

 

E este sábado culminava um trabalho de 5 meses de intensa pesquisa, trabalho de campo e recolha oral inédita e eu não vou estar lá para ver os olhares das pessoas que viveram aquilo e a quem só passados 50 anos lhes pediram para contar como foi. Pedimos, eles contaram, relembraram, buscaram documentos e fotos e coisas e outros nomes e nomes que já são óbito, mas que para eles estão tão vivos como há meio século atrás. E mesmo que não gostem da forma irão sempre comover-se pelo conteúdo que são eles pelos olhos dos outros, mas são eles. No seu discurso, através das suas memórias, são eles a lembrar outros, sem o desconhecimento e a incerteza de então, sem o medo, mas com a mesma esperança de quem reconhece a liberdade porque nasceu e cresceu privado dela e o arquétipo mais parecido era um ideal. Uma geração inteira de pessoas livres a quem privaram da liberdade anos a fio. E eu vou estar em casa. A recuperar.

publicado por amulherdetrintaanos às 16:25
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2 comentários:
De Jose Luis da Mota a 12 de Maio de 2014 às 20:02
Olá. No regresso de mais umas caminhadas de montanha em de Olot, na zona vulcanica de Garrorxa (Girona), algures na Catalunha, lembrei-me de passar por aqui e verifico que estás a passar por alguns momentos menos bons na saúde. Desejo sinceramente que não seja nada de grave e que recuperes rápidamente. Tudo de bom para a menina de 2 anos (ou serão 3?), para o homem de 30 anos e para a mamãe. Para ti, as melhoras e o melhor do mundo. Recomendo-te os livros de David Baldacci, Um grande abraço do Zé
De amulherdetrintaanos a 20 de Maio de 2014 às 16:10
Obrigado e boas caminhadas:)

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