A mulher de 30 anos não era nascida no 25 de Abril de 74; não ouviu radionovelas e não vibrou com o Festival da Canção. A mulher de 30 anos tropeçou em dois séculos e está aqui! Também opina, ainda não é anciã e agora é mãe

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Boa noite,Como a entendo.Uma coisa é fazer o "que ...
É tão giro encontrarmos desenhos antigos, retratam...
Compreendo perfeitamente! É tão difícil deixá-los ...
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

coisas que se me assolam ao espírito durante o dia (de várias)

Nunca repararam na coicidência entre títulos de canções que, das duas uma, ou demonstram a pouca apetência portuguesa para a criatividade de títulos ou são demonstrativas do processo inconsciente de osmose por nós sofrido face à catadupa de influências da língua inglesa?

 

Neste caso, para além do alcóol ser o elo perdido, as parecenças conceptuais entre o  "light my fire" dos Doors e o "dá-me lume" do Palma são mais que muitas. Estranho... ambas fazem uma analogia entre calor e frio, aquecimento romântico e definhamento amoroso... a última só não tem o solo do ray manzerek...

 

E, por falar em elo perdido, confirma-se que o esqueleto da Ida (porque não Ilda, Ilfonsina, Aida ou Idalina? estes australianos...) pode ser arremessado contra aquele movimento esquisito apologista das ideias criacionistas. Darwin 1- Adão e Eva- 0!!!

publicado por amulherdetrintaanos às 11:49
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Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Isto cansa

Isto de uma pessoa trabalhar cansa muito. Se fosse só levantar de manhã e ir, trabalhar e vir, a coisa levava-se bem. O pior é o que lá está pelo meio: o trabalho e, mesmo chato, o trabalho que o trabalho dá. Ah, pois é.

 

Esta coisa da multidisciplinaridade, da polivalência e do trabalho colectivo e "em rede" era boa, teoricamente. Faz úlceras, quase sempre. Se o pessoal trabalhador fosse todo clonado, se calhar a sintonia era maior. Se calhar não havia tanta discussão, a desproporção de dedicação não era tão visível, a consistência da coisa era mesmo sólida, não se teria de ouvir tanta crítica ao lado, não se dispenderia tanto esforço a contra-argumentar. Enfim, podia não ser muito criativa, mas era decerto mais calminha a vida de uma pessoa trabalhadeira. E era isto que se pedia. Era desnecessário ainda alimentar teorias da conspiração, pessoais e grupais, era dispensável andar pelos cantos alimentando iras mudas que, de quando em vez, irrompem quais tsunamis e logo em cima do mais pobrezinho de todos, do mais calminho, daquele que por ser tão atadinho, no meio da confusão, nós até já achamos que ele é que é o supra sonso culpado por todos os males do mundo só porque não fala, não opina e é simpático.

 

A vida de um trabalhador não é fácil. A bem dizer não se evoluíu muito desde a escola primária, só se aprimoraram dissimulações e ficámos socialmente mais vesgos porque já levámos com muitas experiências desagradáveis, fora as que ouvimos contar e somos já muito inflexíveis.

 

A esta pobre reflexão me conduziu o facto de me terem acusado de ter mau feitio. Depois de um minuto de pensamento interior confirmo que até é verdade. Agora o meu mau feitio não é diferente do dos outros e não faz  de ninguém má pessoa. Quer dizer, ter mau feitio é contra-argumentar e não ficar a remoer, calada? Então, pois tenho. Se eu consigo ver isso porque é há outros que se têm em conta de santos? E logo eu. Eu odeio a vitimização alheia porque simplesmente prefiro ter mau feitio a fazer-me de vítima! Pior que ter mau feitio é também o ter, não o reconhecer, fazer-se de vítima e esperar que lhe deêm razão só porque se age como um tolo sonso! Isto é mau feitio: a incapacidade de autocrítica!

 

E tudo isto envolto num bonito dia de trabalho em Maio quando eu não tenho férias dignas do nome desde o último Agosto, cheiinha de trabalho e sem paciência nenhuma para ser boazinha.

sinto-me: a apreciar o meu mau feitio
publicado por amulherdetrintaanos às 21:39
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Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Etnografias I

Quando o sol desponta nesta cidade e arredores é certo e sabido para onde se deslocam, peregrinando, várias centenas de populares e suas famílias. Entre praias, munidos com corta-ventos da sport zone e chapéus de sol da Delta, ao périplo das barracas da Feira do Livro ou de artesanato ou de gastronomia ou de... e à prática do ciclismo informal entre parques das nações maiores ou mais pequenos, os portugueses da capital e arredores saem das suas toquinhas e, já não indo para a porta de casa assar sardinhas ou confeccionar croché com as vizinhas, vão “praticar” coisas saudáveis e culturais. Isso e ir às compras para o Lidl ao domingo, mas esses são os mesmo deprimidos. À excepção da minha vizinha, essa é muito deprimida e fica em casa a estender roupa.

 
Enquanto metade da população da grande Lisboa, deslumbrada pelo calor e pelo sol, rumou no domingo passado para esses destinos bem previsíveis, outros haviam que, literalmente, não se dedicando à pesca, dedicaram-se a uma espécie de auto- SPA, gratuito e de efeito podológico muito esfoliante.
 
Estivesse eu agora na faculdade e tinha encontrado um oásis de exótico ali, bem no meio do rio Tejo, sem precisar de auto-financiar deslocações mais distantes. Qual procissão qual quê?! Qual festa dos rapazes, qual romaria de santa Engrácia, qual forno comunal?!
 
A bem dizer, se eu ainda fosse estudante, tinha encontrado “o” oásis do trabalho de campo.
 
Enquanto todo o jovem estudante de Antropologia anda hoje em dia numa azáfama ansiosa para encontrar “terrenos”, para no fim, e sem muito pensar, acabarem por cair na falácia das problemáticas pós-modernas com abordagens moribundas (desde o desaparecimento da agricultura o paradigma voltou-se para as cidades, ou melhor, para os bairros das cidades; quão mais pobre seja o bairro melhor “terreno” significa). Ora isto é parvo e cansa. Eu calmamente dedicaria o meu tema à “Apanha do ganso”. Sim, se a Sally Cole dedicou o dela à apanha da alga, eu também poderia.
 
Ah?! Perguntam vocês. Apanhar o quê? Soltam um ganso no rio? Sacrificam o pobre animal? (pois, Antropologia e sacrifício parecem andar de mãos dadas, mas é mentira). A populaça vai toda atrás do bicho? É uma ode ao Nils Holgresson?
 
Não!
 
A “Apanha do ganso” é o novo fim-de-semana da antiga classe média!
 
O “ganso” não sendo um animal da família dos galináceos é uma espécie de crustáceo, mas sem casca (eu sei que a explicação não é muito científica, mas não tenho tempo para mais); uma lesma do mar, pronto. Serve para isco de pesca, a pobrezinha…
Eu tentei fotografar um, mas não achei…
 
Entre apanhar “gansos”, os “pescadores” mais ágeis, sortudos ou patudos, sim que a quantidade não depende só da perícia, o tamanho do pé aqui pode mesmo significar a diferença entre um saco cheio ou apenas meio saco, vão apanhando amêijoas… à mão… com a ajuda do pé.
Isto é uma actividade familiar. Não se pense a divisão do género como elemento de análise. Levam-se as crianças munidas de fato de banho, um bocado ao engano, diga-se, mas depois não as deixam entrar na água. A tabuleta de aviso “Proibido tomar banho. Água imprópria” é cumprida. Depois, digam lá que os portugueses não são cumpridores! Assim, enquanto as criacinhas se entretêm a chapinhar só os pés, o pai e a mãe, de cócoras, panamá em riste, enterram os presutinhos e toca a apanhar “ganso” de cu empinado.
É uma boa actividade para casais desavindos: dá para pensar porque é um trabalho moroso; enquanto estão de cabeça para baixo refrescam as ideias e, no fim, podem sempre contabilizar o resultado comum do amuo num grande balde de “ganso”.
 
Aparentemente o “ganso” é vendido. As amêijoas são para comer. Não se gasta dinheiro e ainda se rentabiliza com um petisco para o fim do dia, esse ritual estival tão português que tem o caracol e os crustáceos como eleição.
 
Não são muitas as famílias “ganseiras”, mas creio ser uma prática em vias de se tornar o novo mainstream. Também não deve ser proibida, pelo menos por agora a UE não parece saber ou importar-se com a reprodução ou extinção da lesma do mar, mas nunca se sabe até quando.
 
Eu contei 17 adultos de cócoras a laborar e uma data de crianças pululantes em redor. Depois andava eu e um senhor a fotografar, o homem de trinta anos a apanhar búzios, a minha mãe a apanhar sol, uns rapazes a jogar à bola, uma senhora a ler e outra a passear um cão.
 
Lá muito ao largo, na ponta da ilha de areia estava uma festa brasileira. Perto das antigas salinas, uma mão cheia de piqueniques e ao fundo estava Lisboa. Às vezes parece-me muito distante do sítio onde moro, ontem nunca me pareceu tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe.
publicado por amulherdetrintaanos às 23:33
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Reclamação

 

Vamos convir que, para quem não tem a felicidade suprema de morar ou laborar no centro de Lisboa, os horários extra-diurnos da feira do livro são um nojo.

 

Vou lá quando? Ao sábado ou domingo à torreira do sol? É que desde que me lembro sempre fui de noite. É tradição familiar decana. E agora mudam os horários?!

 

Quê? saio do trabalho às seis e vou a correr, vejo a correr e compro a correr?

 

Francamente! Há quem tenha um rio para atravessar!

publicado por amulherdetrintaanos às 22:34
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