A mulher de 30 anos não era nascida no 25 de Abril de 74; não ouviu radionovelas e não vibrou com o Festival da Canção. A mulher de 30 anos tropeçou em dois séculos e está aqui! Também opina, ainda não é anciã e agora é mãe

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Sábado, 31 de Janeiro de 2009

Malandro!!!

daqui
O meu carro vai ser deserdado; já prometi a mim mesma que quando regressasse das férias, que resolveu tirar sem permissão, passarei a tratá-lo tão mal, tão mal, em formato vingança chinesa, só para ver se aprende a não morder a mão que, literalmente, o alimenta.
 
Passa uma pessoa a vida a ter cuidados extra com aquele monte de lata para, quando menos se espera, nos deixar à chuva, numa bomba de gasolina, à mercê do empurrão alheio, ali, a olhar para ele, à espera de um reboque que demora uma eternidade a chegar.
 
-“Ai, credo! Tem pintinha de ferrugem na pintura!”. Vai o produto anti-ferrugem, mais a tintinha da cor original para disfarçar.
 
-“Ai, o vidro não sobe, só desce e desce até deixar de ser visto”: “Ò sr. mecânico, veja lá o vidro. Ah é o elevador? Tem de se comprar a peça completa. Pronto, ´tá bem”.
 
-“Ó sr. mecânico ele hoje não travou, fez uma rotação quando travei que ainda agora me dói o pescoço… Ah, precisa de calços…? Pronto, ´tá bem, venham de lá esses calços. Ah e depois tem de mudar o óleo dos travões…? ´Tá bem, ponha lá isso a funcionar.”
 
“Ó sr. Mecânico, para pôr a marcha-atrás, o carro guincha por todos os lados, veja lá isso que fica tudo a olhar para mim, até parece que fui contra alguma coisa!” –“Ah, pode ser o selector de mudanças… Ah, afinal não é, é a caixa. Ah, e é muito caro…? Quanto?! Pronto, ´tá bem, mude lá isso… (que eu vou tirar o resto do dinheiro das poupanças domésticas que nunca chegam a crescer nada por causa da lata velha).
 
Quinhentas mil coisinhas depois, o estúpido resolve deixar de andar!
 
Se eu andasse para aí a partir muros e a arrancar sinais de trânsito com ele, tudo bem, compreendia-se. Agora eu, tão ciosa das minhas coisas, que o acudo sempre que precisa, que faço uma revisão anual, fora as vezes que são precisas, tão cheia de cuidados para que nunca me aconteça uma coisa destas à traição e pumba. Vai-me parar logo numa bomba de gasolina, entre o carro da frente e a outra meia dúzia que estavam atrás, num dia de chuva e à noite, quando eu não tenho o telemóvel carregado, quando (imagine-se!!! que isto de dizerem que um azar nunca vem só é mesmo verdade) o multibanco da bomba tem metade das teclas sem funcionar!!! E mais, quando eu tinha uma sessão de cinema combinada e estava em cima da hora.
 
Agora está na oficina e continua parvo. Aparentemente depois do problema da ignição resolvido, vai-se a ver tinha duas velas avariadas e depois disso já se descobriu que o óleo cai nas velas e agora são as escovas e as juntas do motor de arranque. Já me conformei. Só vou ter carro para a semana. Isto se não aparecer mais nada que como diz o mecânico (que até parece que não, mas é de extrema confiança) “não se descobrir mais nada”, pois que a lata velha aparentemente é cardíaca e também “tem o motor cansado”.
 
 
[o carro tem 12 anos, pá. Não está a cair de podre. Para idade de carro ainda é novo, ou não? E eu não sou louca, a antropomorfização da viatura é só uma forma de descarregar a ira sem chatear mais ninguém.]
 
 
 
publicado por amulherdetrintaanos às 17:42
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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

A bem dizer eu não precisava de mais, mas mais um...

Pois. Eu a bem dizer não precisava de mais desafios porque a minha quota-parte já ficou preenchida esta semana depois de 5 dias certinhos sem automóvel (que jaz sozinho na oficina-hospital- e é bem feita para não ser um traidor sem timming), ficando dependente dos transportes públicos aqui da zona. Acrescemos a isso a chuva e temos um belo desafio!

 

Mas vou responder a mais dois. Um que já tem barbas e do qual a fátima já  deve ter desistido de ver se eu o agarro e outro da inês (que depois do repto lançado ainda me faz sentir responsável pela boa gestão do mesmo).

 

O primeiro  consiste em escrever, em relação a cada questão das seguintes, a palavra que melhor corresponde.

 

Eu gosto muito de palavras, sempre gostei; mas não sou daquelas pessoas boazinhas e fofinhas que gostam de dar abracinhos e distribuem sorrisos à sua volta; já me acusaram de frieza devido à minha aversão a lamechices e reverências de etiqueta sem sentido e, por isso, vou responder de forma muito directa e sem muitos psicologismos, intenções morais meritórias ou afirmações ideológicas subjacentes.

 

Só com base nas palavras, na relação afectuosa e conflituosa que com elas mantenho, com livre associação e alguma justificação, respondo da seguinte maneira:

 

1. Qual é a mais bela palavra que conhece?  

-  Significado

(viram?! Devia ser “mãezinha”, “vozinha”; “florinha” ou “amor”, mas não é. Escolho “significado” -primeiro porque a minha mãe não se deve importar que tem mais coisas em que pensar e depois porque o Saussure e a sua lógica da Linguística nunca me hão-de abandonar na vida- para o bem e para a tormenta. “Significado” pressupõe correspondência e dá-nos imagens mentais para percebermos o mundo; porque sem “significado” nada teria sentido e seríamos estrangeiros em todos os lugares, tempos e relações; porque sem conseguirmos atribuir “significado” não saberíamos reconhecer a beleza, mesmo que levássemos com ela na tola e ao lermos o José Cardoso Pires e a sua “Valsa Lenta” isso se percebe muito bem).

 

2. Qual é a palavra que melhor comunica doçura e gentileza?

- Mimo

(ou de forma muito piegas, “miminho”- não confundir com esse boneco- também ele já trintão- munido de uma chucha, com um corte à tigela e franjinha, que fazia bolhinhas se lhe espetássemos com o biberão pela abertura bocal adentro, ofertado a tudo o que era rapariguinha entre o final da década de 1970 e o início da seguinte. Toda a gente precisa de mimo, desinteressado, atencioso, mais metafórico ou mais directo. Eu pessoalmente só gosto daquele que tem bom gosto; o que inclui “falar à bebé” causa-me calafrios e irritação).

 

3. Qual é a palavra mais detestável e horrorosa?

- Carepa

(logo, logo a seguir vem a “caridade”; mas a “carepa” ganha porque

é a palavra mais feia que me lembro de existir na língua portuguesa e com uma sonoridade pior ainda; um substantivo para uma coisa inestética; nunca gostei, pronto).

 

4. Qual é a palavra mais terrível e medonha?

- Desoxirribonucleico

(em ex aqueo com outros termos médicos ou de outras áreas técnicas igualmente restritas, longos e entediantes, que estão fora do meu domínio e, por isso, permissivos às mais variadas divagações hipocondríacas. E isso não é bom aqui para a moçoila de trinta anos).

 

5. Qual é a palavra mais azeda e malévola?

-   Ruim

(azeda talvez, malévola, já não sei, a menos que a ruindade seja a génese para o desenvolvimento de uma vingança cruel e terrível ao tom daquelas das telenovelas em que durante 300 episódios o mauzão arquitecta um plano para conduzir à loucura ou à bancarrota o seu arqui-inimigo. Cá para mim, a ruindade não é uma palavra lá muito propícia a devaneios de aspiração da felicidade, leva à acumulação de energias alternativas não muito saudáveis, à exaustão, à mesquinhez, ao bater na mesma tecla, ao cansaço, à pescadinha de rabo na boca, ao círculo vicioso e não dá dinheiro a ninguém. E ainda por cima faz-nos parecer uns canídeos na sua vocalização “rrrrr”. Não gosto).

 

6. Qual a palavra que melhor exprime o sentimento de solidão?

- Melancolia

(que eu até aos 10 anos pensava que era sinónimo de “alegria”… ah, doce ingenuidade! A “melancolia”, a meu ver, é subvalorizada; em doses certas nunca fez mal a ninguém e conduz gentilmente à introspecção que deve ser exercitada regularmente).

 

7. Qual é a palavra que mais lhe suscita cólera e agressividade?

-  Ignorância (grunhice)

(pronto, também não irei tão longe, não me desperta assim muita cólera, nem muita agressividade, talvez mais impaciência. E por “ignorância”, no sentido socrático, do grego, não do português, refiro-me à daquele tipo do “não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe e não preciso de saber, pois que eu já sei tudo” e é geralmente acompanhada de afirmações fóbicas de cariz social que afectam outros que não os “ignorantes” que as sustentam. Nada tem a ver com frequência escolar, analfabetismo, infoexclusão ou a ausência de conhecimento sobre estes ou outros conteúdos adquiridos pela educação formal. Tem a ver com a postura perante a vida e os outros. A ignorância deste tipo afecta todas as classes e os mais variados e elevadíssimos graus académicos, caracteriza-se por uma ausência de espírito crítico, uma mão cheia de ideias feitas, opiniões vazias e radicais, parvas como tudo e sem sustentação, quase sempre acompanhadas por egos enormes, apanágio de pessoas estúpidas como uma porta).

 

8. Qual a palavra que melhor comunica felicidade?

-  Flanar

(bonitinha, suave; faz parelha com o ócio, mas dá-lhe uma intenção; pressupõe o uso dos sentidos e faz lembrar coisas bonitas de se fazer como “deslizar”, “planar” e tem também um certo encanto. Pequena, mas, quanto a mim, subvalorizada no vocabulário de uso corrente).

 

 Agora o segundo é sobre os 7 pecados mortais. Eram sete, mas a Igreja, no ensejo de renovação que a modernidade lá lhe vai aguçando, actualizou há pouco os pecados mortais que deixam de ser meramente relacionados com a individualidade para ascenderem a critério colectivo. Assim se listaram novas situações que, sem arrependimento ou confissão, condenam a alma humana. Mas pronto, esquecendo que a poluição e a desigualdade são novos pecados ficar-me-ei pelos clássicos.

 

 

A bem dizer nós não temos nada a ver com o pecado. De forma agnóstica ou de vivência de bom selvagem o que nós tínhamos eram tabus. E ainda temos. O pessoal humano cá se ia arranjando colocando ordem no social, proibindo, mitificando, vivendo feliz e contente tal qual como no filme do Schmayalan (agora não sei se está bem escrito) que se chamava “A Vila”, mas, no fundo, era um pinhal. A religião não nasce da ideia de Deus, nasce dessa necessidade humana de sacralizar o mundo para lhe dar sentido e conseguir viver nele com os outros sem nos matarmos e comermos mutuamente.


O Mircea Elíade lá me foi explicando, no século passado, que é na construção do sagrado pela sua vivência que o Homem complexifica e interpreta o social. E todos os povos arranjaram um modo cultural de se organizarem.

 

Como diria um avozinho que a Inês também conheceu, a importância de conhecer o fundamento religioso da civilização ocidental é tão grande que devíamos todos já ter lido a Bíblia (auto-flagele-se quem nunca o fez e depressa, depressa ao confessionário). Nunca o fiz, fiquei pelas aulas de catequese da menina Vinda (que era menina, mas já tinha para lá de cinquenta anos naquela franjinha esbranquiçada).

 

Diz-nos o nosso mito fundador ocidental que herdámos o pecado cometido por Adão e Eva e com ele a perda da vida eterna e descansada e todos os azares daí decorridos. Um dos grandes paradigmas será a anulação da vontade individual face à vontade divina. Podemos fazer aquilo que fizermos, pecar os sete pecados um de cada vez ou todos em simultâneo que existe sempre uma esperança de redenção. Desculpabiliza-se assim o Homem pelas suas acções desde que o arrependimento seja sincero. E com isso vem a ideia de que não somos nós que traçamos o nosso destino: o livre arbítrio acaba com a escolha, mas o percurso até ela foi estabelecido por algo sagrado, fora do controlo humano. Daria uma excelente discussão e já deu muitas letras de fado, mas voltando aos meus pecados.


Como eu gosto é de pecados, fazendo apanágio de uma educação que, da tentativa de ser muito católica, apostólica e romana, foi sofrendo, com o tempo, de muito senso comum profano até à mais completa racionalização céptica, eis que agora me pedem isto...


Os meus pecados são também os vossos e quem nunca pecou é porque nunca fez nada interessante na vida. Vidinha chata que deve ser essa...


Gula moderada. Não fosse o colesterol mauzão, herança genética inultrapassável, ascenderia a um pecado de grau elevadíssimo. Poder-se-ia afirmar como gula de um estádio de desenvolvimento ainda muito infantil: doces, rebuçados, gelados que coabita agora com uma vertente gourmet ainda em franco subdesenvolvimento: framboesas, massa folhada de farinheira com ervas aromáticas e rúcula a acompanhar, degustação de queijos acompanhada por excelentes (e caros) vinhos, jantares no lounche bar japonês ali para os lados de S. Pedro de Âlcantara... Mnham, mham

Avareza
Não lhe chamaria avareza é mais outro resquício de um passado colectivo de índole "pobrezinho, mas honradinho" com uns pozinhos de luta de classes em que a mais baixa nunca poderia ser avarenta para continuar baixa e lutadora e por ter mais em que pensar e um provérbio familiar centenário passado de algum tetra avô e que versava: "não sejas como o Marquês de Bronze que ganha dez e gasta onze". Pura poesia cultural!

Inveja
Nada, nadinha. O poucochinho mais parecido é uma veia pequenina a atirar para a cobiçosa: "Que bela malinha, tens tu! Onde compraste? Onde? Onde?" que ascende ao mitológico "Ai, Adão, filho, que bela maçazinha, dá cá a mim, dá lá..."


Ira
Muito irada, sim senhor. Só por este pecado o psicótico do "Seven" matar-me-ia com laivos de malvadez colocando alguém a gritar aos meus ouvidos até estes explodirem. Sim, eu sou uma espécie de Penélope Cruz no actual "Vicky, Christina, Barcelona".

Soberba
Também já me acusaram disso. O orgulho é difícil de engolir, mas com o tempo faz úlceras, de modo que peco de soberba moderada.

 

 Luxúria

 

“Como um poente congestionado/De vagalumes irreais/ É o sete-estrelo desenfreado/Rosa de chamas descomunais/Saltam-lhe os pulsos como foguetes/As mãos são Vestas embriagadas/Parando as cenas dos banquetes/Em saturnais carbonizadas(…)E um Desejado de lua nova/Noivo da Pátria vem finalmente/Buscar a noiva para a sua cova/E dá-lhe a Morte como presente” (isto é que é luxúria e não coloquei o poema todo)- Natália Correia

 


Preguiça

"Everybody seems to think I'm lazy/I don't mind/I think they're crazy/Running everywhere at such a speed/Till they find, there's no need" (I´m only sleeping; the beatles)

 

ufff...

(... e perguntarão vocês: que configuração mais estranha tens tu neste template!!! Ao que eu respondo: pois é, pá! Não sei porquê, mas fui acometida de preguiça súbita e não vou tentar descobrir!) 

sinto-me: com o template desidratado
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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Jaquim, Jaquim, Jaquim, Jaquim, Jaquim, Jaquim...

E quando os nossos interlocutores momentâneos, devido a uma conjuntura laboral irreversível, se revelam habitantes de uma outra dimensão dissimulada na mesma realidade só para nos enganar?

 
Da assertividade de assunto passa-se, sem nos apercebermos, para matérias tão esotéricas que acabamos a ouvir uma toada indistinta e, enquanto tentamos recolocarmo-nos no assunto alheio, já outro passou para discussão principal do monólogo e esse, meus caros, pode durar, diz quem já foi vítima, até duas horas.
 
E depois?
 
Depois eu considero estes seres amplamente ego centrados e irritantes e não tenho paciência.
 
Fim da conversa.
 
Com esta colega, em particular, aprendi o poder e a eficácia de que se reveste a brutalidade da entoação verbal:
 
“Pois, eu não tenho nada a ver com isso e preciso de continuar a trabalhar. OK?!!!”
 
E sem sentimentos de culpa que a mulher leva-me da exaustão psicológica à mais profunda exasperação impaciente.
 
Irra!
 
Este post poderia ser resumido da seguinte forma:
 
Há pessoas chatas, mas tão chatas, daquelas mesmas chatas (tipo o sketch do “Jaquim Car” dos Gatos Fedorentos) que toda a gente foge delas e eu trabalho com uma.
 
[e depois encontrei mais 3 cabelos brancos espetados na minha franja... não um, não dois... três!!!- causa-efeito, só pode!]
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publicado por amulherdetrintaanos às 20:55
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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

Com um brilhozinho nos olhos

Sem saia rodada, mas com um sorrisinho, mesmo que pequeno e pouco rasgado, será pedir demais?

 
É de mim ou as pessoas andam muito rezingonas? Mais, eu até me atreveria a dizer que as pessoas andam deveras zangadas.
 
Não, não vou analisar A “crise”, deixo essa tarefa entregue aos manipuladores de psicologia de massas que entram pelo televisor de cada teimoso que o continua a deixar acesso em horários mais ou menos nobres.
 
Há “crise” e há “crise”, tal como no poema em que “há mar e mar”.
 
Não vou fazer a historiografia da aplicação global da noção de liberalização da economia e deixo a outros o esmiuçar de conceitos tais como o de “finanças” e “globalização”, “mercados” e “capital”.
 
Com trinta anos e a crer no que os opinion makers nos levam a acreditar, eu já passei por três grandes “crises”: primeiro foi a “crise da indústria” no princípio da década de 1980, tinha eu uns cinco anos ou seis anos, que afectando na minha região a indústria da reparação naval da Península de Setúbal deixou no desemprego tantas centenas de pessoas que cada um dos habitantes havia de ter um familiar, amigo ou conhecido desempregado e, antes disso, sem receber salários há vários meses: na escola, a meias com o entoar repetitivo da canção da “Abelha Maia” e do “Rui, o pequeno Cid”, lá se levava de casa um papo seco com queijo a mais para os meninos com o pai sem trabalho e a cantina foi transformada em refeitório que servia almoços com sopa de coentros alentejana. A dependência anterior a uma indústria mãe foi aqui substituída por outra e esperamos todos que a produção automóvel continue por largos e bons anos senão volta a acontecer o mesmo: comércio afectado, oficinas e subempreiteiros atingidos, poder de compra prejudicado, lojas a fechar, casas devolutas e desemprego a aumentar numa espiral de desgraça individual que não há unidade doméstica ou rede familiar que se aguente.
 
Depois foi durante o cavaquismo. Enquanto se faziam catrefadas de novas estradas, o muro caía, iniciavam-se cursos de formação de tudo e mais alguma coisa e remunerados, privatizava-se este mundo e o outro e caía o nosso poder de compra outra vez. Implantaram-se umas medidas avulsas, génese da base deste nosso tão falado modelo económico ocidental que hoje é estrela e faz manchetes. Aquilo foram tempos esquisitos e pouco fiáveis, mas eu, nessa altura, era muito despojada, estava mais interessada em gravar de vinil para cassete e algumas coisas passavam-me ao lado.
 
E agora é esta “crise”. Mas vamos lá a ver uma coisa. Quando se fala da “crise” estamos a falar de quê?
 
Da fragilidade do nosso “mercado” no sector das exportações mundiais? Da nossa dependência gordinha e bem nutrida por longos anos a importações tão ridículas como materiais para reparação de transportes públicos (havia a Sorefame, não havia)? Do resto dos 20% de indústria nacional que mal se aguentavam há largos anos e que agora morrem de vez todos os dias? Dos 15% de indústrias manufactureiras fragmentadas por países com “mão-de-obra barata e baixos salários” como apregoou o ministro-gaffe deste governo que é o nosso porque foi posto lá (e disso não se podem escusar à vox populi do cliché “Puseram-nos lá” que com a doença não se brinca e a democracia está com uma daquelas prolongadas), agora em alegre debandada para terras mais áridas? Do novo Código de Trabalho e da rescisão de todos os contratados à pressa e à balda de tudo quanto é sector terciário e quaternário, quantos mais houvessem? Do incipiente e moribundo sector primário que qualquer dia só serve para postal turístico? Da desertificação do interior do país? Do novo fenómeno da deslocalização da procura de emprego e da sazonalidade de trabalho com que os combativos autóctones do interior português pelejam a ausência de tudo, apanhando por um mês peras no País Basco, por dois uma empreitada na Galiza ou por três semanas uns morangos na Andaluzia? Da fuga, para a frente e para fora daqui, ao desemprego nos recursos humanos qualificados deste país? Ou das crises nervosas que provoca um telejornal em qualquer canal (com hipótese de epilepsia se for da tvi e de convulsão grave seguida de perda de consciência se for o da 6ª feira)?
 
Qual crise?! A da educação? A da Saúde? A da Segurança Social? A da “insegurança”? Esta da insegurança é a “crise” mais parva de todas: antes de ser já era. Só há insegurança se antes houvesse havido “segurança” e nenhuma sociedade humana foi alguma vez segura: a culpa é da improbabilidade de medir exactamente a reacção humana, por isso vão lá vender a “insegurança” para outro lado.
 
A “crise” de não haver massa crítica neste país e todos os comentadores se resumirem a clones uns dos outros, enfileirados num tacho de remunerações por comentário insignificante e alinhadinho? Bem, haver massa crítica até há, mas está tão terceiro mundistamente arredada de qualquer foco de visibilidade pública, por isso, é a mesma coisa de não haver.
 
E no meio disto tudo existem as pessoas que independentemente de terem mais ou menos dinheiro, mais ou menos créditos, mais ou menos filhos andam esmorecidas, rabugentas, impertinentes, arrogantes, mal dispostinhas, amuadas. Não há sítio onde uma pessoa vá em que seja bem recebida. Eu já não digo que a caixa do supermercado me dê um grande abraço depois de me passar as compras pelo código de barras, mas daí a nem sequer me dizer nada e ficar a olhar para mim inquisitoriamente à espera que eu olhe para o visor com o total das compras e lhe dê automaticamente o dinheiro…
 
Da caixa do supermercado, aos outros condutores que até apitam porque uma pessoa entra na rotunda primeiro e fazem sinais de luzes quais códigos morse porque uma pessoa pára num stop, à senhora do café que quase me bate se lhe dou uma nota de 5 euros para pagar o café, à da bomba de gasolina que amua se lhe peço o recibo, anda tudo a remoer não sei no quê.
 
Talvez andem a reflectir naquela notícia que relacionava a crise com a depressão e aventava, sub-repticiamente, a hipótese do número de suicídios subir este ano.
 
Mas vejam lá, não se ponham com ideias que crises há muitas e se dantes se morria por amor com o corpo a dar ao manifesto e a definhar, a definhar até sucumbir ao sofrimento maior da alma e do coração, hoje em dia isso já não se usa e entre morrer de amores ou morrer pela “crise”, não vale a pena, nem um, nem outro. Morre-se quando se morre e sem falsos moralismos, filosofias mais ou menos teológicas à parte, não vale a pena sucumbir a tanta crise pegada.
 
Com a natalidade a baixar assim, se a taxa de suicídios aumenta, lá se vai a réstia de produtividade esperançada e a batata quente chamada “crise” fica a aboborar mais tempo do que o previsto e quem fica cá lixa-se sozinho. E lixar sozinho é que não. Ou nos lixamos todos ou não se lixa ninguém.
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publicado por amulherdetrintaanos às 19:50
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

O fascinante mundo da cavaca e do santo

daqui

 

Diz o lifecooler que a Festa de São Gonçalinho "é uma das festas mais queridas das gentes do bairro da Beira-Mar [em Aveiro]. Ao longo do dia as pessoas pagam as suas promessas, ao Santo, atirando quilos de cavacas doces da cúpula para o público".

 

Ora não é coisa bonita de se fazer porque das vítimas não reza a história e eu conheço uma pessoa que levou à revelia e à traição com uma cavaca no alto da tola.

 

 

Doeu-lhe.

 

Mas retrocedamos antes da cavaca aterrar na cabeça do meu conhecido.

 

A festa é daquelas que de profanas foram institucionalmente enquadradas e "metidas na ordem" pela Igreja. Se dantes era o caos, agora a coisa é mais ordeira e católica: organização a cargo de mordomos eleitos, mais ou menos, democraticamente, concentração na Capela, entoação de cânticos, mais ou menos, ensaiados, entre eles o hino da freguesia. Destaca-se a "dança dos mancos" no interior da capela: uma performance masculina onde um grupo de homens dança, figindo-se de deficientes.

 

daqui

 

Segue a comitiva para a rua. Há banda de música e um santo. O cortejo fica entalado entre uma procissão e uma arruada. Quem segue a comitiva até dança. Pára-se na casa dos mordomos (que já se sabe nestas coisas ficam sempre a perder: tempo, dinheiro, privacidade e, se calhar, paciência). Depois de se ter invadido a casa alheia retorna-se à capela. Aí sim, nesse momento é que que se pode canalizar a frustração, a fúria, a ansiedade, fazer balanço, respirar fundo e arremessar com quantas cavacas se puder, quantas mais promessas a cumprir houvessem.


Diz-se que quem pretender manter-se nas boas graças do S. Gonçalinho (não sei se o diminutivo se reportava à sua pequena estatura, ao facto de ser muito fofinho ou de ser o mais novo dos seus irmãos ou se já o pai se chamaria Gonçalo e para a família os distinguir, numa época em que ainda não se havia inventado o júnior, lhe acrescentaram o "inho" ao nome) deve distribuir cavacas aos mais necessitados como forma de pagamento das promessas.

Ora o povo é crente, mas não é santo e qual era a piada de chegar perto de um pobrezinho e entregar, em mão, uma cavaca?!

 

Nenhuma.

 

Assim, talvez na perspectiva de entregar a mais do que um pobrezinho a cavaca, talvez porque se consiga, de caminho, acertar naquele vizinho irrascível, as cavacas passaram a ser atiradas do alto da igreja da freguesia.

 

Como hoje, a bem dizer, pobres somos todos, o resto da população (que deve ser pouca) que não faz fila para cumprir religiosamente a sua promessa, fica no átrio a ver chover cavacas. E mais, fazendo jus àquela característica tão tuga do "guarda o que não queres, terás o que é preciso" tenta-se por vários e tortuosos meios açambarcar o maior número de cavacas possível: vale tudo, desde chapéus de chuva ao contrário, a caixas de cartão de electrodomésticos, a mantas e outras técnicas que nem ao santo lembrariam.

 

Não consegui encontrar relação entre o santo do século XII (que devia ser um chato pois passou metade da vida, lá para os lados de Guimarães, a fazer serviço de ambulatório, convencendo casais "amigados" a formalizarem a sua união de facto) e o arremessamento da cavaca, mas hei-de debruçar-me sobre o assunto.

 

O interessante nesta história é o o que continua a mover o ritual em 2008 e o que é que isso nos diz da comunidade que o anima: pequenos e imberbes estudantes de Antropologia uni-vos! Ide até Aveiro no próximo ano, num domingo, perto do 10 de Janeiro, agora só em 2010, e trazei um ensaio sobre o tema que, a ver e até hoje, ainda não conheço nenhum e depois digam qualquer coisa!

daqui

publicado por amulherdetrintaanos às 22:00
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Domingo, 18 de Janeiro de 2009

Do you really want to hurt me?!

 

 

"Alegadamente", como agora fica bem de se dizer, este rapaz é daqueles que não aceita um não. Por baixo daquele font de teinte todo aloja-se um potencial Hannibal...

 

Quem diria?!

 

 

publicado por amulherdetrintaanos às 18:30
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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

O ano que já não é ano e o novo que continua a ser

Acabou-se a pausa blogueira movida a preguiça e alimentada a ócio que os dias de férias natalíssimas facilitaram. Foram tempos (que parecem já distantes) de elaboração frenética de malas de trapilho para oferta (tão lindas que ficaram, ofereci todas, fiquei sem nenhuma), chocolates, passeios, leituras, teatros e cinemas, chocolates, decoração de interiores ao melhor estilo de “queridinho, fofinho-não te passes mas- mudei a casa (de banho incluída que eu não brinco e um só compartimento é pequeno demais para os meus laivos de criatividade anuais).

 
Foram-se os livros recebidos no Natal (todos tão bons que não podiam esperar) e foram-se os livros oferecidos também (que eu ginástico muito na selecção com uma pontinha de premeditação egocêntrica, devo confessar)...
 
 E depois passei-me… de ano…
 
Eu creio que já aqui expressei uma vez a minha descrença e cepticismo face à comemoração gregoriana sobre a finitude de um ano (muito discutível) e o despontar de outro que se lhe segue.
 
Daí ter sofrido uma crise de inspiração blogueira a que não foram alheios esses saudosos dias de férias do entretanto.
 
Estamos na segunda semana inteirinha do ano de 2009 e eu estou igualzinha ao que estava há 12 dias atrás: não engordei, nem emagreci, ainda não paguei a factura dos serviços municipalizados de água e saneamento; a caixa de mudanças do carro continua a arranhar, a minha franja ainda não cresceu o suficiente, continua a descair para cima dos olhos, o que me faz permanecer há semanas com um gancho (giro, ´tá bem) amarfanhado no alto da cabeça que nestes dias de frio consegue quase sempre ficar agarrado ao meu gorro (também muito giro) e o meu molar ainda não está em condições de ser totalmente restaurado.
 
Há coisas parvas que fazemos em prol da tradição, mas nenhuma mais sem sentido do que a “passagem de ano”.
 
Por exemplo. O Natal é querido, come-se bem, dá-se miminhos, faz-se embrulhinhos, somos simpáticos, atenciosos, voluntariosos. Outro ritual agradável será a altura dos santos populares. Mas lá está, tudo o que é demais (como a “passagem de ano”) é excessivo e, apesar de não cheirar mal, aflige-me pela sensação de vazio e de significado. Por exemplo, nos santos populares é fofinho e engraçado comprarmos um manjerico, no São João ou no Santo António, ou para quem goste mesmo, também no São Pedro. Agora já é um bocado piroso irmos oferecer um à nossa cara-metade (reparem que eu nem conjuro o facto de ela mo oferecer a mim). Depois também é engraçado irmos “aos santos populares”, ficarmos a cheirar a sardinhas, fazer um périplo pelas tascas. Agora já é esquisito (pelo menos para mim) ir ao grupo marchante da minha rua oferecer-me para marchar vestida de repolho e com uma caravela à cabeça na expectativa de saber se vou descalça ou de chinela.
 
Sendo a “passagem de ano” uma transição obsoleta e sem sentido reitero, uma vez mais, o meu repúdio pela obrigatoriedade da bebedeira, do sorriso rasgado e da maluquice pegada, características imprescindíveis para “se passar de ano”.
 
Com o pé direito?! E as pessoas que não têm pé direito? Por exemplo, o que dizem ao C. Brown (conhecido na versão do Daniel Day Lewis) que só usava o esquerdo? –“´Tás desgraçado! Para ti todos os anos vão ser meses arrastados de desdita?!
 
Fúria, Pânico, medo, ansiedade: “As 12 passas?! Onde estão as 12 passas?! Por um acaso tal significa que se, na pressa do momento, na confusão da garrafa de champanhe que não abre e na do vizinho do lado que já abriu, nos acertou, entretanto, com a rolha no olho e, escorregando na espuma que jaz no chão mercê da terceira que já tinha sido aberta às 23h30m por um compincha ansioso, uma pessoa conta mal e só come 11 passas? E pior? E se come 13?! Ora se cada uma daquelas uvas mixurucas tendem a representar a abundância, a fertilidade, a reprodução, tudo isto numa ideia alargada de abundância, de sorte, de felicidade, de comida, de dinheiro… seremos, sem o saber, bafejados com mais ou com menos na exacta proporção das passas ingeridas?
 
Meia noite. À meia noite toda a gente tem de estar hiper, mega contente. O álcool e outros desinibidores orgânicos ou sintéticos são aparentemente ajudas preciosas. O facto de se levar com a rolha da garrafa também, pois fornece adrenalina.
 
Cheguei pois à conclusão que não me lembro de todas as passagens de ano que já experimentei. Ano após ano guardo as duas últimas e, numa espécie de rodinha bota fora, estas vão caindo conforme o tempo vai passando. Nem sei onde estive, nem o que comi, nem o que vesti, nem em que carro fui e só tenho uma vaga ideia das pessoas por associação a outras coisas. Se existe uma sensação de amnésia selectiva eu experimento-a com a passagem de ano. E isso não seria muito provável tratando-se de um ritual sério, pois não?
 
 
E depois não suporto a ilusão, mas isto é característica pessoal e não se sintam ofendidos. A magia nunca me despertou qualquer interesse, já o simbólico associado é deveras interessante.
 
Porque raio é que toda a gente faz planos infundados para o “próximo ano”, iludindo-se?
 
Porque razão a megalomania é hoje sinónimo de falta de imaginação, de vontade e de ambição?
 
Isto é uma pergunta retórica. Eu percebo, mas acho parvo na mesma porque se houvesse alguma lógica de efeito-consequência; alguma racionalidade ou mesmo algum fragmento de desconstrução mágica da coisa ainda se percebia, mas eu tenho ouvido “desejos” profundamente insólitos e cerebralmente rudimentares.
 
Então, mas o que é que se passa com a ideia das pessoas tomarem o seu destino nas suas mãos (que é o mesmo que recorrer àquela máxima do “se não fores tu a fazer, ninguém faz por ti”)?
 
“Ganhar o euromilhões”, este ouvi muitas vezes. Principalmente para quem não joga ou para quem joga ocasionalmente, mas mesmo que seja, como não é o caso, para um jogador compulsivo é um desejo estúpido e matematicamente imponderável. É irrealizável ou, pelo menos, muito impraticável: façam as contas, apliquem a lei das probabilidades, francamente.
 
“Comprar um carro topo de gama” para uma pessoa que ganha muito pouco e já tem um crédito à habitação para pagar também não é uma coisa concretizável: ou procura um emprego melhor e depois compra o carro ou é certo e sabido que o carro há-de ser repescado pelo banco num curto espaço de tempo.
 
“Encontrar uma namorada” é outra coisa esquisita porque dá a ideia (uma certeza que eu tinha assente nas histórias infantis) de que quando se quer encontrar alguma coisa andamos de candeia a espreitar em todo o lado para ver se encontramos o que procuramos. E os pares namoradeiros, matrimoniais ou outros não se arranjam assim, não andam pessoas aos caídos com placas na mão (“estou livre, encontra-me”). Só a frase dá ideia de que a pessoa está desesperada e se contenta com qualquer coisinha (do género: “Olha já “tenho” namorada, por acaso teve umas relações maradas no passado, chegou a matar o animal doméstico do último namorado depois dele acabar com ela, é um pouquinho possessiva, mas já estamos em Dezembro de 2009 e era ela ou outra que “arranjei” no verão, mas vim a descobrir uma semana depois que era casada com um tipo que é segurança numa boîte e como não quero chatices e queria mesmo uma só para mim, sobrou esta…”).
 
Isto tudo para dizer que tenho para mim que este ano, na continuação dos últimos, será caracterizado pela progressiva descrença dos indivíduos nas suas capacidades individuais, acompanhada por grandes doses de desculpabilização de todas as responsabilidades a que individualmente seríamos, idealmente, moral, ética e socialmente obrigados a assumir; uma imensa dose de preguiça, sobretudo, mental e a um crescendo de mesquinhez.
 
Isto tudo porque acredito que se não for eu a fazer pela minha vidinha não há-de ser mais ninguém: se eu não trabalhar, se eu não investir na minha formação, se eu não for eticamente correcta, se eu não pagar as minhas contas, se eu não votar, se eu não ler várias coisas e de vários autores e publicações estrangeiras e portuguesas, se eu não for curiosa, se eu me deixar ficar no meu cantinho e não reivindicar, se eu não me empurrar a mim própria, se eu não viajar, se eu não me interessar por várias coisas, por arte, por história, por geografia, por cinema, por teatro, por pintura, por fotografia, pelos outros e por mim principalmente eu seria, não por ordem, mas aleatoriamente…
 
… uma pessoa muito inculta,
 
…. Uma pessoa que não conseguia encontrar a relação entre o hoje e o dantes
 
… uma pessoa chata e infeliz
 
… uma pessoa sem casa e sem autonomia
 
…. Uma pessoa mesquinha e pequenina
 
… uma pessoa auto centrada e mais pobre intelectual e espiritualmente
 
… uma pessoa oprimida e com pouco amor próprio
 
… no fundo uma pessoa muito infeliz
 
E porque os desejos que tenho são sempre os mesmos, dependem de mim e de um poucochinho de sorte não preciso de inventar outros, só de os renovar e lembrar a mim própria que sou eu que os farei acontecer.
 
Para 2009 quero
 
Ter momentos felizes com as pessoas de quem gosto;
 
Continuar a ter emprego que é um bem escasso e eu sei disso muito bem;
 
Por cada coisa que tenha de fazer por obrigação, fazer duas coisas de que gosto realmente para equilibrar a coisa;
 
Ver muitooos filmes e exposições
 
Ler muitooos livros
 
Viajar muitooo (dentro do meu possível que se meter um avião já é coisa ganha)
 
E a única que é aleatória e essa sim é de desejar
 
Ter uma saúde de ferro sem enferrujar muito!!!
 
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publicado por amulherdetrintaanos às 19:29
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