A mulher de 30 anos não era nascida no 25 de Abril de 74; não ouviu radionovelas e não vibrou com o Festival da Canção. A mulher de 30 anos tropeçou em dois séculos e está aqui! Também opina, ainda não é anciã e agora é mãe

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Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Meio gás

é como anda a trintona em termos energéticos. Grandes ou longos fins de semana têm este efeito sobre mim. Vá-se lá a tentar perceber porquê. Fico a pensar nas férias... até me cheirou a parque de campismo aqui ou no estrangêro (pobrezinha, eu sei). Acorda-se desta sensação no domingo e uma pessoa nem teve tempo de largar a agenda... Tudo começou na 6ª feira, grande comemoração da revolução mais trintona do que eu. A reter: entre viver em ditadura ou nesta democracia, está-se melhor na última. Foi o que eu ouvi na TSF a uma pessoa mais velha. E eu acredito sempre muito nos novos séniores. Sempre revigorante comemorar uma queda de regime que fez da minha avó analfabeta e elegeu a minha mãe como madrinha de guerra de um moço que nunca conheceu e sem ter ainda grande espírito crítico desenvolvido, pois só tinha 13 anos e aulas de educação doméstica.

 

Comemorar a revolução é bom e se acompanhada com umas belas baladas revolucionárias ainda melhor. Jantar transgeracional e uma ideia solta, os prequianos fazem-me pensar. Era esta a ideia.

 

Prequiano, para mim, vem de prec (para quem não sabe... período revoluccionário em curso; entre 04/1974 e 1976- data das primeiras eleições sem fraude eleitoral desde há longas décadas). Designo de prequianos aqueles indivíduos deveras politizados, de 50 anos para cima, bastante escolarizados também, mas que toda a postura corporal, os trejeitos, a barba e o vestuário, mais as palavras que já caíram em desuso nos reenviam de novo para 1975. Ou pelo menos eu gosto de pensar assim. Desde a calça de ganga coçada à camisa aos quadrados, levemente desabotoada, e à barba farfalhuda, da bota de pedreiro às referências bibliográficas, da música aos autores evocados parecem que saíram direitinhos do prec para ao pé de mim. E quando se usa "estratificação classista" a meio de uma conversa, tal materializa-se de forma evidente. Agora, esta cristalização de consciência social e democrática é um fenómeno apenas aparente, pois se observarmos bem as coisas é uma arma de mudança e uma oposição política espantosa. Apenas porque conseguiu ser o motor contra a inércia (aburguesada...?) de grande parte dessa geração. As pessoas que se mantiveram fiéis a valores, no fundo, intrinsecamente humanistas e não têm fascínio ou vocação para carreiristas e não se deslumbraram pelo poder em geral souberam chegar até hoje com o mesmo espírito cívico e uma utopia intocáveis. São uns incomodados com o sistema e isso é bom. Faz lutar por mais, faz falar e faz agir. Acomodados ao capitalismo, mais ou menos, continuam inteiros quanto ao princípio da participação e da intervenção cívica na sociedade. E estes são aqueles que não têm plasma, mas têm livros interessantes. A revolução também fez isto: não interrompeu a transmissão de saberes, por muito alternativos que hoje os designem, entre gerações.

 

E agora, bora lá encontrar hoje motivos para celebrar o 1ª de Maio. É fácil, não?

música: O Cabral fugiu para Espanha- Zeca Afonso
publicado por amulherdetrintaanos às 00:00
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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Oba, oba!!! (diria a magali do Maurício)

 

  

Muito contente fiquei com este recíproco cumprimento da

sempre tão inspirada sonjita dona dessa execelência de blogue designado de no mundo de pi, como terão ocasião de comprovar clicando acima!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para toda a diversidade de blogues que visito e que gosto e só para eles (há por aí muito blogue estranho? ou é só impressão?) se dirige este postal

 

 

 

E eu que estou mesmo muito preguiçosa e, numa de espiríto revoluccionário, vou democratizar este postalito devolvendo-o ao povo (que me lê e que eu leio)... não é lá muito democrático, pois as pessoas info-excluídas não têm acesso...mas pronto...

sinto-me:
publicado por amulherdetrintaanos às 00:01
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Leva-me pró contenente!!!

Câmara de Lobos/Costa OestePaul-do-Mar/Costa OesteSeixal/Costa Norteas fotos são daqui.
Quem, como eu, está com os pés em Portugal continental e vê aquela recepção popular ao presidente em terras madeirenses, até fica um bocado incrédulo.
*
Está bem que a Madeira é uma ilha e, a bem dizer, não se passa lá grande coisa, mas tanta gente na rua a ovacionar?! No fim, não fora a sua receita interessante ao nível do turismo, funcionaria para nós, continentais, como uma ilha imaginária, porque longínqua, condensada num habitante e reflectida a partir dele enquanto reflexo da sua localização insular. E funciona. É quase como um cartoon, de vez em quando lá aparece a ilha na televisão graças à estratégia de marketing, popular e política, do seu personagem mais forte. Tirando as grandes reportagens sobre o fogo de artifício da passagem de ano, o Carnaval, as redes internacionais de pedofilia, Câmara de Lobos ou como-se-vive-no-limiar-da-pobreza-em-território-nacional, aquilo é um deserto de acontecimentos ou eventos marcantes.
 
E pronto, a população insular fica contente por um chefe de Estado se deslocar à ilha, é simbólico. Simbólico de que não está esquecida, apesar de no meio do Oceano; simbólico do apoio político nacional ao seu líder eleito; simbólico do reconhecimento da identidade madeirense no contexto nacional e afins. E estão todos contentes! E calados, os que não partilham da efusiva celebração, pois a pequenez (em todos os sentidos) da aldeia insular é pouco permissiva a ideias “da reacção” como o personagem chefe já advertiu.
 
Agora poderíamos fazer uma pausa e visualizar o casal presidencial a dar um pezinho de dança, vestido a rigor, ao som do grupo de folclore da Camacha…
estes senhores são do grupo folclórico da Camacha
 
Também poderia dissertar um pouquito sobre a distância, a angústia ou o abandono como características determinantes da condição de ilhéu e explicar as multidões contentes dos últimos dias.
 
Até ficaria bem referenciar alguns trabalhos académicos sobre o tema; relembrar a marginalidade dos primeiros grupos de habitantes, expulsos do continente e embarcados à força, rumo à ilha ou a luta de gabinete centenária, na prática vivida pelos autóctones divididos entre economias inglesas e portuguesas, sem saber muito bem quem mandava, mas tendo a certeza que eles não eram, e permear a coisa com um apontamento à série televisiva da rtp1 que se chamava “Xailes Negros” e da qual só me recordo de uma moçoila, vestida de negro, mas não gótica, habitante paupérrima de uns Açores de meados do século XX, cristalizados numa economia frágil e governo hermético, igualmente sufocado pela Constituição de 1933, que transportavam os seus habitantes para um tipo de vida a lembrar a Idade Média… Mas lembro-me da moçoila, na série, pobre, andrajosa, desesperada e claustrofóbica, a melgar um continental e a repetir arrebatadamente “leva-me pró contenente…” como se disso dependesse a sua sobrevivência (que a viver daquele modo, dependia mesmo) e isso é que ajuda a entender muita coisa.
 
Ora é na condição do ilhéu, no contexto sócio-histórico da ilha onde se insere e na relação estabelecida com o espaço de referência (económico, social, político, identitário, cultural) que somos obrigados a reconhecer a importância da distância na construção de uma identidade própria, entre a referência e a oposição, na sua essência antropológica do “somos assim porque eles são assado”. Nesta bricolage levistraussiana onde assenta, se partilha e se transmite a identidade cultural, o sistema madeirense, muito singularmente, aprendeu a viver e a reconstruir-se ao longo da sua história da mesma forma que outros sistemas, mas mais entregue a si próprio e sempre na dependência do “outro”: no exacerbamento das diferenças, com uma leitura própria das semelhanças, achando-se hoje a escolher implicitamente uma identidade por oposição, tão mais vincada quanto personificada num porta-voz que acumula outras funções sócio-culturais: é pai de todos, patrão de quase todos, líder da maioria e guia espiritual para qualquer ocasião.
 
Levando-se a análise de forma mais aberta até se pode constatar o exotismo português de integrar, e, aparentemente, de forma tão confortável, no seu sistema democrático, um exemplar do típico populismo sul-americano em espaço europeu. Podia ser pior e acontecer-nos como aos italianos que até preferiram o populismo para governo do país...
 
Os ilhéus portugueses na Madeira reflectem a construção identitária hiperbolizada numa oposição manipulada que o pai lhes foi ensinando e que lhes confere o título de grupo mais idiossincrático que eu alguma vez conheci. Ah, isto porque, metade da família do homem-de-trinta-anos é de lá, o que, friamente, dá um tubo de ensaio maravilhoso para corroborar o que vos digo: a metade de cá ficou órfã de livre vontade e é moderada; a de lá, cristalizou e reproduz o discurso paterno tipo pescada de rabo na boca.
 
Assim, para os meus familiares de empréstimo de lá, os portugueses do continente são “cubanos”, todos “vermelhos”, uma rebaldaria… Os portugueses do continente vivem melhor, pois há mais saídas profissionais, universidades e postos de emprego (até aqui até se percebe e estamos de acordo). Agora, afirmarem-me que eu vivo melhor porque tenho mais centros comerciais à mão de semear enquanto que eles estão condicionados ao shoping do Funchal, pequeno e com pouca variedade, já é um pouco forçado. Em comparação com o continente, para os primos de lá, a Madeira é mais “evoluída” graças à excelência do governo regional (pois, que os fundos comunitários nunca vêm ao caso): tem uma auto-estrada e inúmeras vias rápidas, uma catrefada de túneis e com orgulho afirmam que se pode dar, em três horas, a volta à ilha, por estrada, culminando com a retórica pergunta: “Lá não têm vocês obras de engenharia destas, ah?!” Ok. Desculpem lá, a morfologia do território continental não necessitar de 500 túneis e não conseguirmos dar a volta ao país em três horas… Para eles, os portugueses continentais não querem saber dos portugueses das ilhas, mas afirmam estar à vontade com isso porque o “turismo é o nosso motor e não precisamos do vosso governo para nada.” Antão? O “nosso” governo?! Também é o vosso; também estão contemplados no orçamento de Estado, não? Depois, a coisa culmina, com um primo enfurecido, a afirmar o prestígio e condução inequívoca dos destinos madeirenses nos ombros de um homem só: “Tomara ao continente ter um Alberto no governo ” (!).
 
Mas depois surge a última das contradições: são adeptos fervorosos do Benfica e do Porto, principalmente, quando têm o Marítimo ali mesmo à mão; adoram relembrar as suas origens britânicas, algarvias e alentejanas, desencantando vocábulos em uso transmudado e identificando-os com regiões do continente; evidenciam as belezas naturais do continente e adoram relembrar a mítica história do outro primo ilhéu que se perdeu na A2 (Lisboa-Algarve) ali para os lados do Alentejo e que justificava assim o acontecido: “Ué, vocês no contenente têm estradas mesmo grandes!”. Nesta fase cool de harmonia familiar em que uma pessoa já quase que se esqueceu da ruptura cultural provocada pela conversa dos túneis servem-nos umas exóticas lapas gigantes para atirar logo a seguir, enquanto chupamos o molho de limão das ditas e já arrebatados novamente pelo calor humano madeirense, “ahhh?! É bom, não é?! Melhor que os vossos caracóis! Aproveitem que disto não têm lá vocês!”.
 
Daí que sinta retornar a sensação de claustrofobia, que me atacou durante a estadia prolongada na ilha há uns anos atrás, quando vejo as imagens do povo ilhéu a receber o presidente do contenente. Nem uma manifestação. Nem um cartaz com uma reivindicação, aproveitando o momento mediático. Nada. Tudo contente, bem vestido e a bater palminhas. Esse é o momento em que sobressai daquele colectivo madeirense a mais perniciosa característica do tuga em geral, a orfandade latente, a inoperância infantilista e a necessidade extrema de ter um patriarca, alguém que nos guie. Somos nós, aquele carro animado e o Marco e seu macaquinho, não sabemos ser sem ser mandados e andamos sempre à procura de um progenitor. Isto é perigoso porque dá coisas parvas do género sermos propensos a eleger pais ditadores, mas não aprendemos.
 
Relativizando estas coisas, enquanto lá estive constatei que eles, realmente, podem dar a volta à ilha numa tarde. Mercê da sua geografia, vão de férias para os destinos mais acessíveis: Porto Santo (e encontram lá toda a gente, tipo praia da Costa de Caparica) ou então para as Canárias; Portugal é caro, o resto da Europa ainda mais caro. E como eu pensava, uma semana após ter lá aterrado, que ou me ia embora ou me passava com tão pouco espaço físico e social, deixa-os lá viverem cegamente esse momento áureo das suas vidas que é a visita presidencial.
 
Viver numa ilha, creio eu, é viver condicionado e eu sentia isso muito a sério enquanto estive por lá, sei lá porquê, e queixava-me recorrentemente ao homem-de-trinta-anos que, por seu lado, já não me podia ouvir lamuriar com a constatação de que a ilha era uma ilha e me provocava falta de ar: “Ai que já dei a volta à ilha, já subi, já vimos a floresta Laurissilva, já descemos ao Curral das Freiras e tornámos a subir até ao Paul da serra, agora de teleférico do Funchal lá acima, já fizemos a estradinha para São Vicente e fomos ás piscinas naturais, já percorremos a pé o Funchal, os sítios estão a esgotar-se e já há só água à volta. Olha ali água e ali e dali também. Ai, socorro! Isto é uma ilha. Se pegarmos no carro vamos dar a algum lado conhecido, que partir sem destino numa ilha é um bocado difícil, ai que sufoco, ai que sufoco, leva-me pró contenente… por favor, leva-me pró contenente!”.
____________________________________________________________________
Então?! O que é que se passa?!
Não é que reparei agora que desapareceram do cabeçalho as minhas duas irmãs gémeas?
Eu não fiz nada. Simplesmente desapareceram. Será do sapo que anda parvo?
Isto não se percebe!
Tenho lá eu tempo para me chatear com isto? A minha vida não é isto! Uma pessoa tem mais que fazer!
Olha, mudei o título para a direita e desisti de procurar as duas moçoilas que faziam pendant com a que foi poupada!
Agora não gosto! Uma pessoa já estava habituada!
E não é que não as consigo restituir?!
Fica assim.
 
 
 
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publicado por amulherdetrintaanos às 22:54
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Eu sou tão fiel, mas tão fiel...

... que fui ver um filme que já sabia, à partida, que seria um filme menor, mas fui ver.

 

 

Não ficará na minha memória mais do que uns trinta dias (valha-nos a memória selectiva para guardar o que realmente interessa), ao que acabarei, eventualmente, por bloqueá-lo até daqui a uns bons anos quando passar na televisão e eu sentir uma coisa parecida com um déjá vue e fazer-se luz na minha cabeça.

 

Mas eu quando gosto, gosto tanto que até suporto penitências dolorosas... porque sim. Sou muito tolerante e fiel aos meus gostos até um limite muito largo de tolerância.

 

E, para mim, a Diane Keaton salva qualquer película... A bem dizer esta pouco tinha para salvar, mas aquela mulher leva-me o filme às costas e carrega-me aquele guião, tão previsível como uma novela, como se aquilo fosse o filme do ano. Dá fôlego a uma coisa que estava a dar o último expiro passados 10 minutos de ter começado.

 

Mas lá fui eu... para ver a Dianne Keaton.

 

E a culpa é deste outro filme. Não tivesse eu visto em tão tenra e impressionável idade o "Annie Hall" não teria começado a ler o Wittgenstein e não era eu...

 

 

Woody Allen and Diane Keaton in United Artists' Annie Hall

 

Eu quando for mais grande e velhinha quero ser como ela... não mirrar, continuar magrinha, mas não ossuda, ter rugas, mas ser gira e interessante e estilosa, sem ser pimba e tudo, tudo muito natural, sem artifícios ou pintura a mais...

 

publicado por amulherdetrintaanos às 23:13
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Domingo, 13 de Abril de 2008

Ontem fui dançar

Ai senhores! Ai senhores!!!

 

As saudades que eu tinha do Jamaica.

 

 

Ai o que eu dancei! Sim que eu, normalmente, não sou dada a dançarias e, se é para dançar, tem de ser com uma criteriosa selecção de faixas...

 

E porque o Jamaica nunca me decepcionou, eu ontem dancei furiosamente...

 

publicado por amulherdetrintaanos às 15:54
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Hoje constatei que é dia de coisa nenhuma.

Ó sensação de dia vazio de sentido! Encalhado entre um Dia Internacional Dos Monumentos (há 2 dias) e um Dia Mundial Da Voz (só na próxima 4ª) vivemos dias em verdadeiro limbo de efemérides. A meu ver ou seriam todos os dias, dias de alguma coisa, ou então não vale a pena calendarizar dias aleatórios.

 

Olhando para a minha completa agenda pessoal (a que somente se pode apontar a ausência dos dias atribuídos aos santos) não posso deixar de constatar que a comemoração dos dias é proporcional ao ritmo produtivo do país. A ver, Julho e Agosto são meses de completa penúria em termos de actividade comemorativa. Daí surgir o dia dos avós a meio de Julho. Portanto, a sily season também se reflecte no nosso calendário de dias-a-lembrar-sabe-se-lá-porquê.

 

Tenho um carinho especial pelo Dia do Relógio de Sol (marcador do dia do solstício de verão). É bonito, pronto. Dá um cheirinho a ócio e a coisa pagã ao mesmo tempo. É infantil, mas não infantilóide. Faz-nos recuar à origem das coisas.

 

Por outro lado, tenho um reparo a fazer ao Dia Escolar Da Não Violência e Da Paz (ali para o 30 de Janeiro) e que creio marca o dia em que, há duas décadas atrás, na minha escola preparatória, o meu colega de turma atirou a bola de andebol à cara do professor de educação física a meio da aula depois de advertido para parar de puxar as calças de ginástica das colegas para baixo (!), fracturando-lhe o nariz e, mesmo a espirrar sangue, qual elm street, ainda conseguiu, o pobre prof, ripostar, aplicando um senhor estaladão ao aluno prevaricador. Isto só para lembrar que a autoridade e o respeito entre duas forças que não deveriam ser iguais já há muito que anda pelas ruas da amargura e com o assentimento silencioso de vários governos desde o cavaquista, inclusive. Mas voltando ao Dia Escolar Da Não Violência E Da Paz considero que, não sendo, internacional deveria ser movido para o dia em que a, hoje famosa youtubiana, discípula desabrida foi possuída pelo espírito da regressão cognitiva até àquela fase ontogenética em que não se distingue o outro e só nos vemos a nós próprios, vulgo temos a mania que o mundo gira à nossa volta porque na nossa cabeça os outros existem para nos dar prazer. Isto é queridinho e fofinho aos dois anos de idade e é coisa para um tareão com uma vara de marmelo aos quinze. Os pais também marchavam e, segundo o meu avó, que é reaccionário, mas é engraçado (porque tal como os bebés, aos 85 anos, ser reaccionário é fofinho) fazia-lhes o mesmo que aos incendiários das florestas e que nem vou mencionar aqui do que se trata porque faria o meu avô parecer um sádico de primeira, coisa que no fundo não é, tem apenas um sentido de justiça muito próprio e perto da mãe-natureza.

 

Outro dia sem sentido, pelo menos para nós, portugueses, é o Dia Internacional Da Língua Materna. É sempre bom haver um dia que nos reafirme que temos uma; ainda para mais no dia 21 que é aquele dia em que quase toda a gente deve achar que não tem nada porque está-se a meio do mês e, não havendo dinheiro, uma pessoa sente-se logo melhor e mais protegida porque tem uma língua materna. Na escolha do dia para este dia reside um resquício do Salazar que temos dentro de nós (tipo, minha mãe é pobrezinha/ não tem nada para me dar/ dá-me beijos/coitadinha/ e depois põe-se a chorar).

 

Ainda há aqueles dias que guerreiam pelo protagonismo, pois, vá-se lá perceber, foram acumulados num apertado “dois em um”. É o caso do Dia Mundial Da Comunicação Social, ex aequo com o Dia Mundial Para O Desenvolvimento Cultural; ambos a 21 de Maio. Porquê? Uma coisa tem a ver com a outra? Como? Senhores do calendário, expliquem-me lá… Epá e já agora, o que é isso de desenvolvimento cultural? Apeteceu-lhes foi? Desenvolver uma cultura nova? Tentar mexer num sistema cultural já existente? Desenvolvimento Cultural como se se tratasse de fundo cultural que é pobre e vamos tornar mais culto e profundo…? O que é isso?

 

O Dia Dos Bombeiros vem junto com o da Energia… É piada de mau gosto, não? Bombeiros associados a Energia cheira-me a coisas com perigo de explosão lá escrito; a desastres e catástrofes provocadas por coisas tóxicas e inflamáveis. É de mau gosto juntarem, para memoração colectiva, duas realidades tão antagónicas, já para não falar que é confuso.

 

Agora o que me faz mesmo espécie (como sinónimo de estranheza) é instituírem o Dia Mundial Do Canhoto e deixarem de fora os destros. Só por si, esse esquecimento já é uma forma de discriminação pelos primeiros. Eu revoltar-me-ia, se fosse canhota. Até porque, como muitos sabem pela experiência, há por aí muito falso destro, portador de memórias recalcadas que recuam algures à infância e às atrocidades educativas “especiais” de que foi vítima na tentativa de erradicar esse comportamento desviante que era escrever com a esquerda. Esses, são essas vítimas que deveriam ter o seu dia, essas e mais nenhumas- o Dia dos Falsos Destros como memória futura para que nunca mais se cometam atrocidades do tipo de amarrar a mãozinha esquerda às crianças. Isto até me faz lembrar um episódio da Dharma & Greg quando ele constata com o pai as agruras de uma vida a usar a esquerda e o pai lhe responde que não, que foi preciso muito treino e que até foi muito complicado ele deixar de escrever com a direita, justificando essa atitude educativa paterna pelo exotismo de se ser canhoto e as vantagens que aparentemente isso tem para o protagonismo de alguém que jogue basebol…

 

Agora a efeméride que me deixa mesmo esperançada; aquela que, para mim, tem muito valor; aquela que dava direito a um repenicado beijinho meu na bochecha de quem dela se lembrou é o Dia Mundial Dos Direitos Do Consumidor!!! Ah! Isto sim! Nesse dia posso imprimir todos os e.mails já enviados, reenviados e re-reenviados para o call-center dessa lástima de empresa que é a tv cabo; cortá-los aos bocadinhos e lança-los em confettis da minha janela em forma de comemoração! É que é um dia mesmo útil: pode servir como introdução para uma carta de reclamação; é um argumento poderoso numa daquelas discussões presenciais ou telefónicas quase kafkianas com os serviços dos quais dependemos (pelo menos se não vivem numa comunidade isolada ali para a serra da Louça), só não faz bem à saúde. Até é verdade que atribuir um dia aos consumidores revela pelo menos o reconhecimento de uma evidência pós-moderna sobre o facto de que não existe quase ninguém, hoje em dia, que não o seja, mas isso torna também a coisa redundante; por outro lado, lançar assim um dia para o ar não dá razão nenhuma aos consumidores, só enfatiza a sua condição; depois, nem sequer nesse dia, os “serviços” dão uma borlazinha, o que o torna inútil e, mais, nem sequer nesse dia estaremos imunes à publicidade da Deco/Protest em que nos bombardeiam com um telefone, agenda electrónica, o-raio-que-os-parta de oferta se nos tornarmos assinantes da revista. Por isso e como estamos a caminhar para o consumismo irracional de consumirmos tudo o que há para consumir com o dinheiro que temos e com aquele que os bancos nos fazem pensar que temos, mas no fundo não temos, mas usámos porque o banco nos deu… devíamos era ter um dia internacional ou nacional, tanto faz, do “consumidor em recuperação” ou da doença consumista. Seria muito mais útil e dava também melhores reportagens nos telejornais. Há coisa que suba mais as audiências do que entrevistar alguém em recuperação, de alguma coisa, cuja dependência lhe estragou a vida?

Ah, boa ideia, não?

 

 

 

publicado por amulherdetrintaanos às 13:37
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Domingo, 6 de Abril de 2008

Discurso directo III e IV

Eis finalmente essa continuação tão aguardada (?!) do meu ensaio sobre esse tema tão actual que relaciona mulheres e motas no mesmo contexto. iupi!!!!
*
Continuando, portanto...
*
A minha pessoa, no que se relaciona com motas, vive em contradição absoluta como já puderam antever no último post desta natureza. O meu motard de trinta anos não consegue compreender esta minha intrínseca contradição, mas vai percebendo e respeitando o meu estado de espírito motard, mais do que tudo, muito volátil e que muda graciosamente, acompanhando as estações do ano.
 
Eu gosto de andar de mota no verão e na primavera, sentir as curvas e contracurvas em simbiótica perfeição com o meu corpo; as inclinações e as descidas; os rompantes do vento e as suas mudanças de direcção; o sol no meu rosto; aspirar profundamente o ar no topo de um motociclo. Chegar à praia antes do resto do mundo; não ficar parada numa fila de carros interminável e ter sempre um estacionamento garantido “mesmo ao pé” são vantagens práticas. Percorrer a serra e dizer adeus aos autóctones que olham para nós como se tivéssemos acabado de chegar da lua, mas que retribuem efusivamente o aceno; ouvir os miúdos à beira da estrada a gritarem “dá-lhe gás” (expressão estranha, mas no cimo da mota muito contextualizada) e fazer-lhes a vontade (ficam tão contentes)...
 
Eu não suporto andar de mota à chuva; odeio sentir frio e o desconforto do excesso de vento que me empurra a cabeça para todo e qualquer lado; a dor lombar, fininha ao princípio e aguda, já no fim, provocada pela má postura continuada numa viagem longa; o frio de rachar e de anestesia que me enregela até muitas horas depois da viagem ter terminado, as caimbras nas pernas e a sensação de corpo moído. A horrível impressão da chuva e do frio potenciada pelo vento quando se está a mais de 50 quilómetros do destino e toda molhada, o cieiro e o pó na cara...
 
Mas a coisa que mais me irrita, mas mesmo mais. Aquela coisa que me deixa louca e num crescendo de irritação inaudível à espera de um pequeno motivo para irromper é mesmo o facto de quando se sai de mota não valer a pena nos arranjarmos. Sair de mota significa que não é necessário escolher acessórios, nem malas, nem nos pentearmos, jamais colocarmos brincos ou pulseiras, colares só se muito acondicionados, ganchos e fitas, impossível; maquilhagem só se gostarmos de sermos confundidas com o Batatinha... Sair de mota só mesmo quando não se tem uma festa combinada, ou uma saída para jantar ou um cinema ou nenhum outro evento que meta não-motards porque ficamos sempre a perder: uma motard pendura está esteticamente deslocada se colocada no meio de convivas automobilísticos, pedestres, rodoviários, metropoliteiros ou mesmo cicloturistas.
 
Com tristeza já me vi, apear-me da mota à porta de um restaurante onde, no interior, se encontravam outros convivas não motards para celebrar o aniversário de um amigo comum. Já não ia lá muito bem disposta, pois, para além de não poder vestir uma sainha bonita e novinha que tinha, enfiei umas calças de ganga; para não ficar amarrotada vesti uma camisola justa e sem graça; para não me acontecer o mesmo que à Isadora Duncan (para quem não sabe morreu estrangulada pela sua écharpe que ficou presa à roda do carro descapotável) nem coloquei um colarzinho; para não me auto mutilar, nada de brincos (com capacete?!) e, para não ficar com o cabelo hiper acachapado, não o amarrei; tinha acabado de pintar as unhas e quando tirei as luvas constatei que ainda não tinham secado totalmente e tinha de aguentar 10 dedos esborratados que, se fossem de outra pessoa era coisa que não me afectava, mas eram meus e não tenho por hábito andar com acetona na mala. Retirei o capacete e o meu cabelo parecia a minha primeira esfregona, ainda hoje a uso: um novelo emaranhado de todos os fios e micro fios capilares, soltos do interior do capacete durante o percurso; umas olheiras horríveis, mercê do frio e das estaladas que o vento me ofereceu durante a viagem; procuro na mala e quê?! Esquecera-me da escova, do batom do cieiro e sentia-me horrorosa. Não há boa disposição que aguente e o meu id tomou conta de mim. Desatei num monólogo de recriminações em crescendo de volume dirigidas ao dono da mota que, nestas situações, se comporta como um monge, daqueles da ordem do voto do silêncio, o que também atira umas achas para a fogueira da minha irritação, mas isso é outra história...
 
 Assim, para quem estava à espera de mais, eu avisei que era um post muitoooo subjectivo.
 
As últimas recomendações, principalmente àquelas que, sendo mulheres gostam de se sentir bem, são deixadas com base, mais uma vez, na minha experiência e dizem respeito a bens essenciais a transportar para o nosso próprio bem estar, sejamos apenas penduras ou motoqueiras a sério:
 
  1. uma mala ou mochila-amalada suficientemente grande para lá caber:
  2. uma escova
  3. batom para prevenir o cieiro
  4. toalhetes hidratantes para limpeza do rosto
  5. um cremezinho hidratante para o rosto também
  6. amaciador da melena, daqueles que se podem colocar a seco, pois ajuda a desemaranhar cabelos mais rebeldes
  7. um elástico para o cabelo, se amarrado diminui-se a probabilidade de se sentirem a usar uma peruca após retirarem o capacete. Uma fita elástica também pode ajudar a esconder o cabelo mais despenteado e dá sempre um certo estilo
  8. lenços de papel: andar de mota deve ajudar a limpar as vias respiratórias...
  9. um “passa montanhas” (que são aqueles carapuços grandes que a geração nascida em 1970 usou quando bebé e que deixa apenas a cara de fora, protegendo também o pescoço) ou um simples lenço para proteger, além do frio, dos insectos.
 
 
Concluindo:
*Para mim mota só de verão; de inverno, nunca mais longe do que 50 km, mas posso afirmar que gosto, mas condicionalmente; para o meu rapaz de trinta anos, a mota é incondicional, facto que eu muito respeito, mais espiritualmente, pois nem sempre o acompanho, mas é um facto que me espicaça o interesse antropológico sobre o tema.
 
*Concentrações motards só até 200 motas. Para cima disso é exagero e sinónimo de ausência de condições de higiene, poeira, comida péssima e aumento das probabilidades de não se conseguir dormir de noite com motas a chegar, motas a partir, motas em relantim, ratares e outros sons estranhos... Eu não gosto da Concentração de Faro (à qual já acorri uma vez) precisamente pelo excesso de tudo.
 
*Ter uma mota na nossa vida e usá-la exige condições: vestuário e protecção adequados.
 
*Andar à pendura ou conduzir uma mota deveria estar reservado às pessoas que garantidamente possuem um espírito cívico indiscutível e um grande sentido de responsabilidade: respeitar o Código da Estrada é uma frase com um peso muito importante para um motard (para a maioria dos que conheço é; deveria ser também para os miúdos imberbes que fazem rotundas aos cavalinhos), mas infelizmente não o é para todos os automobilistas. Da minha experiência afirmo que os grandes perpetrores de acidentes com motards são automobilistas, com culpa (daqueles que propositadamente e por despeito- inveja?- atiram com os carros para cima das motas num espírito selvático de “não posso passar porque o meu carro é grande, mas tu vais ficar aí atrás também!”) e sem culpa (também eu já ia empurrando um motoqueiro para a faixa contrária, simplesmente porque me ultrapassou pela direita (!!!), mas mesmo que o tivesse feito pela esquerda, não tinha visto e não ouvi sequer a mota).
 
*Os motards não correspondem ao preconceito instituído (muito à conta dos hells angels e dos filmes americanos) que alimenta um imaginário estigmatizado onde os motards são gordos, brutos, feios, ignorantes, porcos e selvagens, delinquentes, presidiários ou alcoólicos e elas, ainda são piores do que eles. Em 10 anos de convívios motoqueiros conheci várias pessoas e casais, de diferentes faixas etárias, com diferentes graus de ensino, com as mais diversas ocupações, desde professores a auxiliares, enfermeiros a mecânicos, empregados de mesa, informáticos ou advogados. Nunca, em nenhuma concentração ou passeio, vi ninguém colocar-se alcoolizado em cima de uma mota para a conduzir e nunca, mas nunca mesmo, em ambiente motard, ainda hoje mais masculino do que feminino, me senti intimidada.
 
* Ser motard é transversal à classe, à profissão, a aspirações sociais ou profissionais, à idade ou ao nível cultural, é, no fundo, um estado de espírito que se compartilha e se aprecia compartilhar. Uma forma de socializar e se sentir parte de um universo de pessoas unidas por um interesse comum. Ser motard sintetiza, na maior parte dos casos, um respeito pela natureza e pelo lugar do homem na natureza; o gosto de descobrir, pelos sentidos e na proximidade, os cheiros, sons, as cores dos lugares e as pessoas que neles habitam. Em última, ou primeira, instância andar de mota incorpora e materializa a necessidade, muito humana e primordial, de reconfirmar à nossa essência humana que somos livres para partir, com ou sem destino, descobrir, naufragar e regressar, quase como se as motas fossem asas e a estrada um interminável e desconhecido caminho libertário que afasta de nós, à medida que a percorremos, todos os problemas e dúvidas reais numa terapia barata e colectiva.
 
 
 
E para a próxima terminarei esta minha dissertação pessoal com uns blogs muito engraçados que descobri (infelizmente ainda poucos) de mulheres motards e uns sites que só ao nosso género fazem falta...
Me aguardem...
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actualização 1 hora depois:
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epá, nem de propósito, acabei de fazer o mesmo teste realizado pela dona de casa e eu, se fosse, um hit dos anos 80 era este:
 
 
sinto-me: climatericamente instável
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publicado por amulherdetrintaanos às 15:35
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Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Tenho estado

 

 

... cansada

 

... stressada

 

... irritada

 

e depois, oscilando entre o cansada , stressada  e irritada ; uns momentos de  esgotamento energético galopante e outros de  amuo sociopata porque, no meio de tudo isso, eis que... de repente... alguém resolve atirar uma piada daquelas que servem para cortar a tensão, mas acrescentam-lhe algo ainda mais grave: são propensas a interpretações diversas e caem que nem um meteoro desenfreado, bem no meio da nossa exasperação, aí... fico piurça e sou mesmo bestial, não como uma estrla genial, mas no de besta mesmo, no sentido de que tenho consciência que sou mazinha como as cobras de água (= a sou má, mas não malvada de todo) e digo coisas curtas, mas daquelas que depois (noutros momentos mais calmos) até me fazem pensar... olha, aquela fez até foi bem lançado aquele meu desabafo estridente, agora estavas mesmo a pedi-las e não te vou dizer porque não há contexto de stress que justifique... bolas! E depois congratulamo-nos interiormente por essa nossa atitude tão corajosa de outrora e aquilo lembra-nos que existem certos momentos em que ser bruta que nem uma porta é muito terapeútico e pode funcionar a longo prazo, tendo até potencial para ser usado em situações em que social e hierarquicamente estamos condicionados ou em desvantagem.

 

Por isso e neste carrocel de emoções em que trabalhos colectivos nos condicionam a um horário quase jornaleiro e em que já quase toda a gente disse mal do seu semelhante, mas nas suas costas; já disse mal do seu semelhante, mas à sua frente; em que já toda a gente comentou as faltas dos outros, se rebelou contra aquele gajo que tem mau feitio, mas como há 14 horas estás a levar com ele, para logo a seguir ir desculpar-se com outro, para depois o outro vir comentar...

 

mas o que eu gosto mais nos meus colegas de trabalho é serem todos boas pessoas e de toda a gente estar na mesma onda. E a onda é muito fixe porque tudo isso que se dize, fez, gritou, amuou, riu, gargalhou, parvejou toca a todos e nunca a um sozinho e vai, durante o ano, mudando e passando por todos e ninguém levar a mal, não remoer demasiado e gostar de fazer o que faz apesar das lamentações expiadoras...

 

E porque há uma semana durmo pouco, não tenho tempo tido para nada a não ser trabalhar, não ter energia nem sequer lembrança de ir comprar o jornal e acomodar-me às parangonas melodramáticas do da tasca da esquina, almoçar em 30 minutos e levantar-me 500 vezes d permeio para tratar de coisas pendentes e inesperadas...  hoje já estou bem mais disposta ... porque...

 

está a terminar esta voltinha no carrocel laboral...

 

Depois destes ciclos é que aprecio o tempo... tanto, tanto que até aspiro a casa com devoção e aprecio extasiada cada momento que limpo o caixote do meu gato!

publicado por amulherdetrintaanos às 23:38
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