A mulher de 30 anos não era nascida no 25 de Abril de 74; não ouviu radionovelas e não vibrou com o Festival da Canção. A mulher de 30 anos tropeçou em dois séculos e está aqui! Também opina, ainda não é anciã e agora é mãe

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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

L`air du temps

Nos tempos que correm as pressões sociais sobre as mulheres aumentaram muito. Não, a vida não é mais fácil apesar do aumento da qualidade de vida. É verdade que também não é mais difícil, é apenas muito diferente. Exemplificando com a mulher da classe média portuguesa... A mulher hoje tem posibilidades nunca antes experimentadas (isto não altera a minha ideia essencial: o acesso à educação, à cultura, à alimentação, à dignidade devia ser transversal à classe nesta sociedade que se quer inclusiva, mas enfim... vejam as estatísticas sobre o aumento do número de cidadãos socialmente excluídos...). Mas voltando à mulher média que se vai aguentando e às suas possibilidades infindas pus-me a pensar na diferença geracional entre mim e a minha avó. Mais do que a situação financeira, é toda uma mentalidade que se foi alterando desde o tempo em que a minha avó era uma mulher de trinta anos. Cheguei à conclusão que entre nós as duas o que nos afasta é também o que nos aproxima porque ela representa um espelho onde se reflectem as mulheres antes de mim, um ponto evolutivo onde me percebo e do qual me demarco. Sem ela(s), as mulheres de oitenta (para além da perspectiva genético evolutiva), as mulheres de trinta não seriam o que são. Vejamos então um rebuscado das principais tópicos da diferenciação:

O casamento: a minha avó desde a puberdade sabia que “teria” de se casar, depois dos 13 e antes dos 21/22 anos. Para ela, o facto de eu só ter tido uma relação mais estável aos vinte e muitos assombrava-a permanentemente. A pressão residia na frase repetida “ah, que felicidade quando te casares... é só o que a avó espera agora da vida.” E o tempo a passar e ela a achar que eu estava a ficar fora de prazo para o mercado matrimonial. Mas, o relativismo cultural é maravilhoso e não é que ela até percebia que primeiro, pois que “eu fazia muito bem estudar, faculdade, ser independente...” mas se arranjasse, no meio disso, um tempito para o casório era a cereja no topo do bolo!!! A minha avó só namorou com o meu avô, o seu único namorado; eu tive mais...

A relação homem/mulher: as mulheres de oitenta eram tão infantilizadas pelos homens que até hoje lhes perdura nas observações uma ingenuidade pueril que contrasta com as suas rugas. Principalmente quando as conversas se acercam do universo masculino. Para a minha avó, o homem é que sabe (sabe de política, sabe de dinheiro, sabe educar, sabe falar e sabe mandar), enfim sabe tudo e mais do que ela (ninguém a demove desta ideia!). Socialmente, o homem deve ter sempre a última palavra; com as suas vizinhas, a minha avó vinga-se e deita-o abaixo... Assim, quando eu ouso questionar o meu marido/namorado/”amigado” cometo o pior dos impropérios e ela desculpa-se, junto dele, por mim!!! Quando o meu avô, no auge da sua mobilidade, se senta à mesa e resmunga que lhe falta um guardanapo, a minha avó levanta-se, com ar penitente, e vai buscar o dito. Para a minha avó, a minha vida doméstica é um caos permanente e pensará, concerteza para si, “pobre rapaz, como aguenta?!” Ele cozinha também e passa a ferro e limpa o pó, tal como eu!!!

A situação económica: a minha avó era pobre; ela e mais 6 milhões de portugueses. Não havia classe média, existia meio milhar de burgueses comerciantes e uma classe alta muito rica. A minha avó costurava a sua roupa, a do marido e a dos filhos. Comia carne em dias festivos e não tinha qualquer remédio senão abusar dos hidratos de carbono. Ia ao “sr. dr.” quando já estava mesmo mal e substituia os remédios farmacêuticos por mezinhas caseiras. A água potável era do poço e levava-a para casa às costas. Também não tinha luz eléctrica, tinha velas. Custa-lhe perceber a definição e utilidade de um mp3 ou de um ipod; não percebe de todo o que é a internet. Não confia no comboio da ponte 25 de Abril e desconfia do multibanco. Mas sabe converter escudos em euros e conseguiu fazê-lo mais depressa do que eu. A minha avó só teve um ano de escola, eu tive muitos porque felizmente não me puseram a trabalhar aos 8 anos.

A vida para além do casamento: a minha avó tinha amigas quando era solteira, depois de casada passou a ter apenas vizinhas. A minha avó trabalhava tanto (na altura não havia férias e nem fins de semana) e a toda a hora que não tinha tempo, nem sabia, que podia cultivar relações de amizade. A minha avó nunca teve um homem como amigo (e nem o meu avô deixava! A culpa não era dele, pois homem que era homem não permitia cá conversas com outros da mesma espécie). O auge da vida social da minha avó tinham sido os bailes onde conhecera o meu avô e que frequentava acompanhada por sua mãe e irmãs. A minha avó não aprova que eu almoce ou jante com amigos, mas sabe que hoje as coisas são “diferentes”. Custa-lhe a entender que eu saia sozinha, que vá ao cinema sozinha ou acompanhada com alguém que não seja o meu “marido”, mas percebe que já não me vão apontar na rua e dizer mal de mim como há 60 anos atrás. Não percebe do que estou à espera para ter filhos, não entende o que hoje significa “estabilidade financeira” porque no tempo dela não havia ordenado fixo e trabalhava-se à jorna (de sol a sol e pagos ao dia e depois desse dia podia ou não haver trabalho) e ela mal se casou engravidou logo e “tudo se cria” e a mãe dela criou 16 crianças e eu para ter uma criança ando ando aqui a adiar e gasto o dinheiro em férias “no estrangeiro” quando devia era amealhar para “dias piores ou uma necessidade”.

 

A minha avó tem razão. Tem a sua razão que faz parte do entendimento que todos nós, num dado tempo da nossa infância, adquirimos do mundo e do nosso lugar social nele. Ao seu modo é uma mulher de ideias e princípios. Os mais arreigados não podem ser alterados, estão cristalizados num tempo que já passou. Os outros são o fruto de uma miscelânea de programas de televisão, telenovelas, revistas femininas, conversas com os netos e as conclusões que tira para si própria sobre as mudanças no mundo que foi observando (e com 80 anos já foram mesmo muitas!). Fazem falta as ideias e as memórias destas mulheres como contraponto às novas gerações porque nos situam hoje naquilo que somos na nossa sociedade, porque são um testemunho, tão vivo, de um tempo livresco ou porque simplesmente sem elas não nos saberíamos definir e precisamos disso, de saber como era para perceber como é.

 

sinto-me: com vontade de escrever
publicado por amulherdetrintaanos às 21:52
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4 comentários:
De cristiana a 14 de Maio de 2008 às 16:06
Olá! achei este artigo interessante a adicionei-o aos meus favoritos, espero que não te importes.

Um abraço
De teixeira a 15 de Agosto de 2008 às 14:30
olá, deixa-ma crescentar que a tua avó, como todos nós, com o passar dos anos mais coisas sabemos, mais sábios ficamos

x
De m2r2arquitectura a 17 de Agosto de 2008 às 14:55
Sim, senhora! É, de certo modo, reconfortante saber que reconheço no relato das vivências de pessoas da minha geração (1970) os tiques e dogmas dos seus progenitores espelhados nas conversas quotidianas e no quadro de expectativas de vida que, por ímpeto natural, traçam e projectam no que esperam que sejam os nossos destinos. Digo "reconfortante" porque me sinto solidário nesta angústia da cristalização evolutiva do ser humano, em termos de pensamento social e de quadro de valores ético-morais , mas temo que este seja um traço um tanto pré-esquizofrénico de estar. De facto, reconheço na pessoa de meus pais, na casa de 60 anos (a trinta de distância da avó...), e muito boa gente da mesma "mocidade", essas mesmas incapacidades de aceitar o mundo de hoje como algo de extremamente dinâmico. Vejo aquela série da RTP1 , o "Conta-me como foi", e reconheço todas as cenas! Sem qualquer sombra de dúvida! As pessoas que cresceram num país estagnado, dogmático, insalubre, sem direitos e com demasiados deveres, governados por cínicos criminosos a coberto do cúmplice silêncio pactual da igreja de Roma, não têm realmente as bases em si mesmas para dar os saltos em frente que lhe permitiriam ser adultos com a desenvoltura intelectual e social dos povos do centro-norte da Europa. É compreensível que se refugiem nos dogmas que são, afinal, a super-estrutura do seu mundo. Pode não ser sequer nada aceitável aos olhos das mulheres e homens de trinta anos, hoje, mas é a defesa contra o "nada". O vazio. O nhiilismo " em que hoje nos movemos parece ser quase condição necessária à nossa própria sobrevivência. O esvaziamento de verdades universais imutáveis, cujo benefício o tempo e a História se encarregaram de julgar, é algo de insuportável para quem tinha, desde logo, à partida, todo um percurso de vida delineado, com os eventos-chave bem definidos e até calendarizados. Os objectivos expectáveis eram conhecidos e a definição de felicidade também. Assim como o estatuto da mulher e do homem, antes e após casamento, em crianças, adolescentes (uma noção vaga, de pouca duração e inconsequente) e em adultos. O papel da família e sua estrutura, ordem e relação hierárquica era, ao fim-ao-cabo , a maior das seguranças, desde que nada a pusesse em causa, sobretudo pelas acções dos próprios constituintes. A família como célula, unidade básica da sociedade (papel cuja importância enquanto actor social não vejo objectivamente contestável, independentemente da sua flexibilidade estrutural ser agora pertinente questão) era o microcosmos onde todo o "imaginário" real se permitia e era possível. O isolamento estratificado da família , da terrinha, do concelho para fora dos qual as comunicações eram más ou inexistentes, da província que eram distantes como planetas, e, por fim, do próprio estado embalado numa fantasista epopeia inventada se amordaçava por obra da censura de um regime cheio de boas-intenções " à luz do constructo social vigente mas que se manchava de sangue, de atitudes burlescas, patéticas, cretinas. Tristes. Como triste deveria ser sempre o fado, a canção e o "nosso" fado, coitadinhos! A maravilhosa sonoridade da canção nacional deveria, pois, penumbrar , qual tinta inapagável, os nosso corações e emoldurar a singela e parola alegria dos pobrezinhos mas honrados!... e orgulhosamente sós!... Não devemos olhar para os nossos ancestrais mais próximos com qualquer desdém pois agiram sempre de acordo com o seu mundo. Tenhamos alguma compaixão pelos que viveram amordaçados a vida toda, compreensão pela sua incompreensão e admiração pela coragem de nos terem num mundo sem esperança de felicidade que não a pouca ou nenhuma! E sobretudo, tomai-os por exemplo quando nos questionar-mos o porquê de nossos filhos pensarem de determinada forma, ou não pensarem (...), gostarem disto e não daquilo! Cuidado com a nossa própria intransigência quando não poder-mos reconhecermo-nos no seu mundo!...
De clara a 20 de Julho de 2009 às 12:09
Este texto está muito bem escrito! Como sempre. Mas este provocou-me uma vontade de abraçar (novamente) a minha avó. Com 81 anos, passou a mesma infância / juventude, as mesmas dificuldades e as mesmas repressões. Mas é uma mulher Forte. Claro que o nosso estilo de vida provoca-lhe uma certa indignação. Não compreende, por exemplo, porque é que adio constantemente a gravidez ou mesmo o casamento. Aceita, mas não compreende!
Mas daqui a uns bons anos, vamos estar igualmente confrontadas com uma realidade social completamente diferente da nossa.
Beijinhos

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